Como combato a homesickness

A sociedade espera que saibamos sempre o que estamos a fazer e porquê. Quando não temos resposta sentimo-nos no vazio. Hey! Não és o único! De facto a maioria das pessoas (senão todas) não sabe! Fingimos que sabemos para sentir que estamos sob-controlo.

Queria mostrar que somos o que for preciso sem limites para sermos felizes, mesmo que para isso seja necessário algum esforço.

Não é controlável aquilo que precisamos de experimentar para chegar à conclusão de que felizes são aqueles que se adaptam ao inesperado. E é quando chegamos a esse raciocínio que damos por nós sem rumo algum.

-“Onde te vês daqui a 5 anos?”

-“Quais os teus objectivos a médio e longo prazo?”

-“Quem é a Ana?”

Anteriormente sempre tive resposta na ponta da língua.

Parece que para sobreviver em sociedade, ser maturo ou alguém importante somos quase como obrigados a saber responder.

Em tempos cheguei a criar uma mentira do que seria essa Ana daqui a 5 anos. Assim só para encaixar num perfil.

As pessoas que fazem parte da minha rotina diária são de 9 nacionalidades diferentes e conheço há pouco mais de 3 meses.

Ao contrário do que aconteceu nos outros 22 anos os Domingos costumavam ser dias que passava em família, que agora já não vejo há 8 meses.

Quem diz a família diz os amigos mais próximos, os hábitos ou a comida. Ver o mar, fazer uma corrida nocturna, ver um filme e comer uma sopa.

Ainda são incontáveis os dias que sinto “homesickness”.

“When you say HOME do you mean Country, Body or Box?”

Faz parte do processo e a única razão pela qual há um certo sofrimento é o facto de muitas vezes duvidarmos do porquê de o fazermos.

O que iria desenvolver se continuasse a passar todos os Domingos, toda a minha vida da mesma forma?

Podia ter ido a casa tantas vezes e escolhi não o fazer. Quando estamos “homesick” parece que foram mil as razões para emigrar mas que nenhuma é suficiente para ficar.

A verdade é que podemos ir para qualquer parte do mundo que o que sentimos vai connosco e a isso se chama saudade.

Senão mudarmos o que sentimos não estamos de facto a mudar rigorosamente nada.

Estou a viver avulso, a ir com o flow um dia de cada vez. Uns dias melhores, outros piores e quando dou conta passou mais meio ano.

Todas as decisões que tomo são espontâneas. Deixei de ter de provar ao mundo que sei exactamente o que quero.

Aí a pergunta grita no subconsciente: “Passou mais meio ano em que não fazes ideia do que estás aí a fazer? Volta para casa!”

E… Caramba, onde está o problema nisso?

“O melhor lugar do mundo é aqui e agora” ainda que a voz trema. E começo a segunda-feira como se fosse reiniciar qualquer coisa extraordinariamente nova.

Porque o é. É um dia novo em que tanta coisa inimaginável pode acontecer. O que de todo não aconteceria à mesma escala se continuasse em casa.

Só temos de confiar em nós. E se é preciso coragem para emigrar é preciso tanta ou mais para de facto pegar nas malas e voltar. E o mais provável é isso nunca acontecer.

Não ter medo de mudar, não temer o inesperado e respirar agora de alívio.

Estamos sempre a uma decisão de mudar a nossa vida completamente. Por isso, para quê sentir ansiedade?

No fim não importa quantas vezes nos questionamos se sempre seguimos em frente.

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NitaAbroad

Emigrante portuguesa em Inglaterra desde Março 2016, viaja sozinha pelo mundo na procura de um propósito.

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Ana Catarina Margarido

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NitaAbroad

Emigrante portuguesa em Inglaterra desde Março 2016, viaja sozinha pelo mundo na procura de um propósito.