O que é ser sábio?


Imperdoável tal notório conceito de ‘O que é ser sábio’; imprescindível, voluptuoso, para poucos, ser sábio. Designação esta almejada por todo um emaranhado de cinzas histórias de outrem e de si próprio de ser possuído pelo saber. Contudo, se Sócrates como um dos maiores pensadores filosóficos exaltava sua ignorância, que pretensão pode-se ansiar perante tão débil intentos para conosco?

Faz-se arrogante se partes solitário ou, se colaborativo com sociedade tão pedante, afligida por receios tão nocivos, quanto demências culturais de gerações milenares cultivadas em seios matriarcais ou virilidades à idolatria fálica, buscas o graal da sabedoria dentro de uma Babilônia utópica, imposta por algo ou alguém, antes mesmo este algo saber.

Constituímos um ópio maçante de ignorância por conveniência, para obtermos aquela pseudo endorfina fria existencial de que somos o suficiente para nós mesmos, descartando a possibilidade futura de um minuto a mais, nosso mármore admirar e alguém questionar-se capaz. Assim, gerações deixam-se consumir, não consomem, suprem o que lhes (nos) impõe. Somos a nova geração, mas a de Cazuza e Beatles um dia também foi.

Quiçá, remetendo novamente a capacidade de discernir grau de sabedoria, área ou tecnologia, o ponto crítico que nossa existência conturbada pelo vazio ainda não fora capaz de aceitar, seja ser ignorante. Clarice Lispector afirma que estes são mais felizes, deveras. Àqueles, porém, quando ao nirvana apocalíptico “ignorantil” abater-lhes conscientemente, poderás dar o primeiro passo rumo… à algo novo. Não serás sábio, tampouco (talvez), logrará encontrar o Q.I. da felicidade, mas não será o mesmo.

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