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Lições que aprendi sobre arquitetura de software…

…antes de me tornar uma arquiteta!

É, é isso mesmo. E esse título não é um click-bait, eu garanto!

Desde que me mudei para São Paulo, sinto que dei um “restart” na minha carreira. Afirmo isso pois, trabalhando em empresas no interior de Minas Gerais cujo foco principal não era desenvolvimento de software, confesso que por um bom tempo a minha maior preocupação era entregar “código que funciona”. Mas, a que custo? Com isso, assuntos como qualidade de software, arquitetura bem definida, boas práticas e padrões de projetos não eram uma prioridade no dia-a-dia.

Depois que fiz essa mudança de vida, percebi então que na capital as coisas aconteciam de uma forma diferente. Saber entregar código de qualidade era um requisito e não um plus, e até mesmo tive contato com a tão famosa “nuvem” pela primeira vez. Percebi que era possível ir além e comecei a me interessar por arquitetura de software e desenvolvimento em nuvem. Aquilo para mim era “mágico”, rs.

Decidi me dedicar e estudar mais, cheguei a concluir alguns cursos e formações, mas com tantos assuntos e tantos interesses, eu não sabia por onde continuar e achava que aprender apenas a parte técnica da coisa me faria uma arquiteta em n meses.

Hoje, conversei com a minha atual gestão sobre meu interesse, e fui orientada a procurar uma pessoa que apoia internamente times técnicos, realiza e facilita aconselhamentos de carreira dentro da própria empresa. Fui encaminhada para um arquiteto que, além de entender bem o que eu queria e onde eu quero chegar, me ajudou montando um plano de estudos.

E foi aí que a chave virou.

Recebi algumas sessões de mentoria com ele e percebi que ser um(a) arquiteto(a) de software vai muito além de apenas ter o conhecimento técnico suficiente.

É preciso senso crítico para analisar um problema e entendê-lo a fundo, através de perguntas e entrevistas junto ao seu cliente.

Muitas vezes, ao ouvir sobre o problema que o cliente nos apresenta, é natural que nós, como desenvolvedores, façamos suposições e tentemos encaixar aquele problema em um modelo de arquitetura ou um cenário já conhecido por nós.

Entretanto, percebi que arquitetura de software não pode ser aplicada by-the-book, e entender como planejar a melhor solução para cada caso e cenário específico é um dos papéis importantíssimos do arquiteto de software.

Além disso, as soft skills são de suma importância nesse processo.

Eu sei, de novo essa conversa que parece um novo “hype” no mundo da tecnologia. Mas na real, é mais importante do que a gente imagina.

O(A) arquiteto(a) precisa saber se comunicar bem, fazer as perguntas necessárias para entender o problema do cliente, saber se relacionar com pessoas de diferentes origens, visões de mundo e papéis dentro daquele contexto organizacional.

O(A) arquiteto(a) também precisa transmitir confiança para o cliente.
Confiança para demonstrar que as soluções propostas o atenderão, ou até mesmo, para reconsiderar o que foi proposto anteriormente e agora já não faz mais sentido em um contexto atualizado.

Isso fará total diferença no seu trabalho. Afinal de contas, o seu cliente estará mais propenso a confiar em seu trabalho quando perceber que você mesmo confia no que propõe a ele e que você conhece o suficiente sobre o assunto. É necessário o nosso conhecimento técnico esteja alinhado à nossa auto confiança em realizar aquilo que vai atender as necessidades do nosso cliente.

E é até mesmo válido que, em casos onde não saibamos a melhor solução logo de cara, que a gente procure entender e se posicionar sobre.

Às vezes, a melhor solução para o problema do cliente está fora de nossa zona de conforto.

Todos nós temos uma tecnologia com a qual estamos mais familiarizados e temos até certo expertise. Mas nenhuma delas é “bala de prata” para ser utilizada em todos os cenários possíveis.

Não podemos ter uma “solução de estimação”. Saber as vantagens e desvantagens de cada solução e abordagem também deve ser o nosso papel. Buscar aprender diferentes tecnologias e soluções também. Por isso, a imparcialidade deve prevalecer nestas escolhas.

Tudo o que eu disse aqui pode ser ou parecer óbvio demais para você, mas para mim não era. Ter alguém me orientando neste sentido, e me mostrando além do que os cursos e treinamentos técnicos mostram, tem sido de grande valia para os próximos passos da minha carreira, e espero que este artigo também possa te ajudar, de alguma maneira.

E se você está se perguntando se hoje estou perto de me tornar uma arquiteta de software, te digo que não. Mas estou no caminho, e quero, a partir de agora, compartilhar essa jornada com vocês.

Deixo aqui um agradecimento especial ao Alexandre Monetto e o Henrique Araújo, que me apoiaram e (ainda) me apoiam nessa jornada! E também ao Grupo GFT, por ter a iniciativa de trazer um profissional especificamente para cuidar da carreira dos colaboradores!

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Ana Carolina Manzan

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