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DEPOIS DO ALMOÇO, A FOME.

Ana Mira
Ana Mira
Jul 20, 2017 · 2 min read

Lembro que não pedi um café para mim porque queria beber você com os olhos, aos goles, enquanto você bebia o seu com a boca que eu tinha acabado de beijar desejando morder.

Lembro que olhei para o pequeno biscoito doce e pensei que ele se desmancharia em sua língua. E que eu muito provavelmente nunca mais faria o mesmo.

Em todas as plantações de café do mundo devem ter caído simultaneamente o melhor grão. E se existia um pássaro negro em alguma delas, ele pousou, comeu o grão e nunca mais pôde voar.

Lembro que pensei na cor do café e no clichê de imaginar meu sangue da mesma cor, muito escuro, como nos filmes com efeitos especiais precários onde o sangue nunca tem cor de sangue de verdade.

E pensei também que talvez sejamos nós que nunca tenhamos visto sangue farto e por isso não sabemos reconhecer a cor do sangue que poderia muito bem ser tão escuro quanto o café dependendo da luz e da dor.

Lembro que pensei em todas essas coisas para que você não visse o que sentia caso olhasse em meus olhos. Não lembro porque coloquei minha mão sobre a sua para uma foto quando na verdade queria desaparecer minha imagem.

Lembro que pensei antes de levantar, sem dar tempo para que você terminasse a xícara, que tinha feito uma grande descoberta.

Não é amor até você precisar ir embora.


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Tudo o que acontece no lado de dentro também precisa acontecer em um lugar fora da gente. Esse é o meu lugar.

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Tentei ser moderna. Tentei ser perfeita. Sou insegura com a verdade. Amo meus defeitos. Não tenho Facebook. http://instagram.com/a.anamira

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