Impressões sobre o Meet Magento BR 2017

Em algum dia qualquer do mês de outubro recebi o convite pela empresa que sou desenvolvedor, a Cammino, de ir até o Meet Magento junto com outro dev full-stack. Fiquei feliz em receber o convite e aceitei-o de prontidão, mesmo sem saber muito bem o que era esse tal de meeting.

“Meet Magento é a série de conferências líder mundialmente, focada em negócios, comércio eletrônico, plataforma Magento e seu ecossistema regional, abrangendo todos os mercados importantes do comércio eletrônico.”

Uma conferência mundial sobre Magento, na maior cidade do Brasil, com diversos evangelistas da área e almoço incluso? Sensacional.

9 horas da manhã do dia das bruxas, estava eu sentado em uma das não tão confortáveis cadeiras do auditório do Caesar Business Hotel esperando pelo começo do evento.


O evento

A primeira palestra de maior relevância foi a Recursos do Magento 2.2 e muito mais do criador do Magento Stack Exchange, Ben Marks. Discursando em um inglês totalmente claro e cômico, Ben resumiu as novas features da versão 2.2:

  • Inúmeras melhorias relacionadas a lojas B2B, dentre elas a integração nativa com ERPs e gestão de produtos por empresa;
  • Atualização dos gráficos da loja, contendo mais relatórios sobre produtos, clientes, pedidos, etc;
  • Troca do PHP 5.6 pelo PHP 7+

Ben também prometeu a melhor das features na minha opinião: PWAs

PWA Studio para Deixar sua Loja com Cara de App

A palestra seguinte intitulada B2B E-commerce — Business & IT perspectives tratou do assunto da moda no Magento 2: o B2B.
3 funcionários da Ambev (sim, a própria) elucidaram de forma muito interessante quais dificuldades tiveram em colocar em funcionamento uma loja Magento, integrada com diversos outros sistemas proprietários, que fosse capaz de lidar com a distribuição das cervejas, desde o boteco da esquina, até o evento que adquire um caminhão de 200 mil reais em bebida.


A primeira palestra da tarde, Magento 2 vs. Magento 1, tratou do que o próprio título diz:

  • Por que usar Magento 2 ao invés do 1?
  • O que devo aprender para migrar?
  • A vida toda trabalhei com as versões 1.x, vale a pena o risco da troca?

Essas e outras perguntas foram respondidas com um enfoque mais técnico do CTO da Webjump, a maior empresa que lida com Magento no Brasil e organizadora do evento.

O palestrante deixou claro que a mudança é sim turbulenta, mas os benefícios são inúmeros.

O difícil, segundo o CTO da Webjump, não é o Magento 2 por si só, mas a falta de contato com tecnologias/frameworks/libs que estão integradas a ele: Less, Knockout.js, Composer.
Benefícios do Magento 2

Dando prosseguimento ao evento, a palestra Progressive Web Apps e Magento — Por que isso pode afetar as minhas vendas? lidou com outro assunto “da moda”: PWAs. Afinal, PWA é uma linguagem? Um framework?

Conjunto de técnicas para desenvolver aplicações web que antes só eram possíveis em apps nativos

A pergunta que não queria calar é: como usar o PWA em favor da minha loja virtual? Consegui abstrair alguns casos interessantes em lojas não só Magento, mas e-commerce em geral:

  • Determinado produto saiu de estoque e usuário habilitou uma notificação push em seu celular (service worker!!!) para saber quando esse produto voltaria para o estoque;
  • Uso de API nativa (fantástico!) de checkout dos celulares para realizar compras offline;
  • Evitar uma lista de ícones de redes sociais e mensageiros poluindo sua loja (principalmente a página de seu produto) utilizando Web Share API. Basta criar um botão de compartilhamento e o evento de clique chamará a API do SO, que já possui nativamente as redes sociais disponíveis para compartilhamento (abra sua galeria de fotos e clique em compartilhar para visualizar o funcionamento da API).
87% do Seu Tempo é Gasto em Apps

Partindo para o lado da segurança, o Gilmar Hansen da Clearsale — 85% das transações em e-commerce passam por lá! — explicou diversos tipos de fraudes recorrentes no setor de lojas virtuais no Brasil (líder mundial em fraudes!) em O combate à fraude com a força da inteligência artificial.

Quando falamos de segurança, temos a tão conhecida regra de ouro: usabilidade = 1/segurança.

Quanto mais meios de barrar fraudes seu e-commerce tem, provavelmente mais tempo seu usuário final vai ficar no aguardo até a efetivação da compra. Entretanto, quanto menos segurança, mais suscetível a brechas e menos credibilidade sua loja tem. O ideal, claro, é o meio termo.

A Clearsale usa diversas variáveis para se chegar a um score final, que indicará, probabilisticamente, se a compra é produto de fraude ou não. Alguns indícios para levar em conta na detecção da fraude:

  • Velocidade da compra: somente um bot conseguiria preencher meu formulário de cadastro gigantesco em menos de 1 segundo;
  • Identificação do device: sempre compro usando um Zenfone 3, uma mudança repentina pode configurar tanto a compra de um novo aparelho quanto uma fraude;
  • Atualização da conta: mudança de endereço de entrega antes de fazer uma compra em um valor alto;
Porcentagem de Fraude por Região

Devo ser sincero e dizer que após o coffee break as palestras deixaram muito a desejar. Talvez pelo período pós-almoço, ou pela qualidade dos palestrantes, tudo passou a dar muito sono.

Magento API’s: integração e criação: o palestrante mostrou de forma (muito) exaustiva como usar SOAP e REST com o Magento 2. Slides cheios de código em letras minúsculas fizeram a palestra perder todo o potencial que tinha, dado o título.

Magento 2 — Desmistificando JavaScript: A novidade do Magento 2 é a de que ele passa a usar o Knockout.js por default, talvez acompanhando a onda de libs e frameworks js que estão na moda. O palestrante conseguiu acabar com minha animação ao mostrar códigos extensos e com explicação superficial... Uma pena.

SEO Orientado a Dados: como gerar mais performance no e-commerce: faltou profundidade. O “arroz com feijão” de SEO já era conhecido por toda a plateia, provavelmente.

Composer: trabalhando com gestão de dependências no Magento 2: encerrando o evento, a palestra tratou objetivamente do que é o Composer e como o Magento 2 passou a usá-lo na sua instalação e como os desenvolvedores podem também utilizá-lo para gerenciar seus módulos.


No geral, o evento me impressionou muito pela diversidade de temas dentro do assunto Magento: segurança, B2B, front-end, inovação… Ainda que algumas palestras tenham sido entediantes e a organização deixar um pouco a desejar (mencionei que todo mundo almoçou em pé?), o evento cumpriu o que prometeu e me fez voltar para casa com vontade de pesquisar e me interessar pelos assuntos apresentados.

Obrigado pela atenção :)