
eu preciso me encontrar. Foi o que ela me disse. Antes, ela me disse oi tudo bem, eu disse oi tudo e você, também tudo bem, que bom, sabe… eu preciso me encontrar. Foi quando ela me disse. O celular, a caixa de diálogo, o fundo branco e essas poucas mensagens, as únicas coisas a iluminarem meu rosto. Era essa a imagem. Um rosto. Um rosto projetado em tons de pixels, o meu rosto, pairando em algum ponto do escuro completo do quarto. e u p r e c i s o m e e n c o n t r a r. e-u-p-r-e-c-i-s-o-m-e-e-n-c-o-n-t-r-a-r. euprecisomeencontrar. eu-preciso-me-encontrar. eu — preciso — me — encontrar. Diziam que tínhamos tido um filho, que éramos felizes, que usávamos roupas moderninhas e que ostentávamos cortes de cabelo de que esse mesmo filho hoje riria ou faria questão de tentar reproduzi-los. O ventilador de teto girava sem uma das três pás e fazia………………………………………………………………com o que já estivera só há muito tempo. Tempo suficiente pra esse suposto filho terminar de crescer e fazer ele mesmo um filho pra ele, se quisesse. Contavam que havia uma filha também, mas não minha filha, os olhos ou o cabelo, talvez. Pensei que, na verdade, não tínhamos filho algum. O que tínhamos era um formigamento no tornozelo direito, só meu. Uma dormência de agitação própria, cisalhamento constante, que ainda grita, atira, queima, mata, mija e fede a álcool. Naquele momento, sou invadido por memórias que me tomam sem imagens………………………………………………………………apenas o revirar dos olhos deitados, paralíticos. Nos abraçávamos. Entre nós, um bicho. Sempre um bicho. Beatriz. Nos beijávamos. Máscaras levantadas, só nossas línguas se tocam. Transávamos. Nossos sexos seguros, mãos em concha, a 3 metros de distância………………………………………………………………

