[#003] A Força Reina quando Encontra as Oportunidades — Débora Carvalho

25/06/2014, Brasília-DF: Débora Carvalho em palestra durante cerimônia de lançamento da segunda etapa do Programa Ciência Sem Fronteiras. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
“Nasci para contrariar estatísticas. Nasci mulher, nasci negra e nasci pobre.”

Eu conheci a Débora durante sua brilhante participação em evento em Brasília. Nós éramos as duas ex-bolsistas da capes que fizeram o intercâmbio na Alemanha, logo foi fácil conectar-me com ela. Eu não tinha idéia, porém, do quão rica era a bagagem que ela trazia, nem esperava ouvir um discurso tão impressionante no nosso próximo encontro. Um discurso que tocou a todos no local, enchendo aquela sala com tanta emoção que era possível ver lágrimas encharcando alguns rostos.

https://www.youtube.com/watch?v=T96WFcpabuI

Em nossa conversa eu também pude ver uma outra faceta dessa forte mulher que está a receber prêmios decorrentes de sua excelente performance, ela conversou também sobre todo o apoio que potencializou tais resultados. Ela fala sobre a boa recepção que recebeu ao chegar na Alemanha e sobre os resultados gerados em um ambiente fértil, pois ela desenvolveu diversas atividades, que deixaram uma marca de sua passagem em Freiberga.

Situada nessa pequena cidade, se encontra a Universidade Técnica de Freiberg, de 1765, berço acadêmico de ilustres como von Humboldt. Há pouco tempo estive em uma conferência nessa cidade e fiquei impressionada ao encontrar as referências que a Débora deixou no seu caminho. Tanto de colegas, que a conheceram nas diversas atividades que ela desenvolvia com destaque e sucesso, quanto de seu professor, todos parecem concordar que ela faz um ótimo trabalho por onde passa.

Palestra no ministério alemão de relações exteriores, em Berlim. Copyright Auswärtiges Amt- Fotograf Dirk Enters.

Sem dúvidas, foram muitas as atividades nas quais ela se envolveu durante sua estadia na Alemanha. Com o engenheiros sem fronteiras ela trabalhou no desenvolvimento de um projeto de uma cisterna no Quênia, ela também liderou um grupo de estudos voltado para estudantes provenientes do BRICS, deu aulas de língua portuguesa técnica, fez um estágio na área de geotecnia ambiental, além de ter participado de eventos como sua ida até Berlim debater com embaixadores e ministros, no ministério alemão de relações exteriores.

Fica claro que, como diz a sua citação do Rappa, “é só regar os lírios do gueto que o Beethoven Negro vêm pra se mostrar”.

Ao voltar ao Brasil ela continuou se envolvendo em diversas atividades, como a PoliGen e a PoliNegra, debatendo sobre as dificuldades encontradas pelo caminho. Nessa reportagem, citada na nossa conversa, é mostrado Marabá como a cidade com maior desigualdade entre homens e mulheres e Porto Alegre como a cidade com maior desigualdade entre negros e brancos. Mas na conversa com a Débora não falamos só sobre os obstáculos, mas também sobre os degraus do caminho, que nos permitem ir mais longe, com ainda mais força.

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