Como você está?

Sim, eu gostaria de saber como foi o seu dia. Mas não quero ouvir um “foi bom”. Quero saber o que está acontecendo com você, os detalhes que te fizeram ter um dia bom ou ruim. Confia em mim, me fala sobre aquelas 6 semanas. Sim, aquelas nas quais você sumiu da escola, quando todos ficaram sem entender como o estudante perfeito simplesmente não tinha forças para sair do quarto.
Mas mais do que me falar sobre o que aconteceu naquele período, eu gostaria de saber sobre como isso ainda afeta você, talvez o melhor seja você me falar da forma mais tácita que encontrar. Sobre como tem sido superar todos aqueles problemas, sobre aquele choro na cama ou sobre os cigarros que precisam te ajudar a se acalmar antes de dormir. Sobre você se sentir nesse mar, de um azul lindo, mas cheio de altos e baixos.
Eu quero que você saiba que eu estou do teu lado, mesmo que você não precise falar nada. Que eu me importo com você e que os nossos dias são mais bonitos quanto estamos juntos.
Eu queria estar preparada para saber todas as respostas desse turbilhão que é a vida. Mas eu não sei. Eu também não passei anos na universidade para estudando psicologia, nem entendo o mundo de Freud. Mas eu entendo que me importo com você. Eu entendo que você pode ser o mundo para alguém. Eu entendo que você está se tornando um mundo para mim.

