A morte é um dia que vale a pena viver

Outro dia estava lendo o livro A morte é um dia que vale a pena viver, da Ana Claudia Quintana Arantes, e ao longo dos seus anos de trabalho com Cuidados Paliativos ela percebeu que um dos 5 maiores arrependimentos que as pessoas têm diante da morte é ter trabalhado tanto. Fiquei tão impactada pelas suas palavras que não tinha como não compartilhar, talvez porque eu mesma já me vi nessas situações embora na época não tivesse conseguido definir de forma tão precisa.

“O que causa o verdadeiro arrependimento é precisar de máscaras para sobreviver no ambiente profissional. Quando existe uma diferença entre quem somos na vida pessoal e quem somos no trabalho, então estamos em apuros. (…) Se só sabemos ser nós mesmos calçando um chinelo, então coloquemos os pés na terra antes que seja tarde e não saibamos mais a diferença entre nossos pés e a sola do sapato. (…) Quando aceitamos um trabalho que se distancie da nossa essência, temos a sensação de tempo desperdiçado, principalmente se preferimos nossa essência ao nosso trabalho. Mas também existe o risco de gostarmos demais de ser aquela pessoa do trabalho, especialmente se só conseguimos pensar em nós mesmos como alguém porque trabalhamos. Essas pessoas podem ser incríveis no trabalho, mas na vida pessoal são um desastre. Quando se aposentam, é como se morressem.” Passei muitos anos da minha vida me sentindo diferente das pessoas do meu meio, achei no começo que era por falta de experiência, mas conforme fui crescendo na carreira essa sensação não passou e percebi que não era só isso. Eu me sentia estranha de roupa social, parecia que nada combinava, e não entendia porque eu simplesmente parecia não ter capacidade para combinar as roupas de trabalho e facilmente me sentia tão bem com as roupas de fim-de-semana. Levou muito tempo até eu perceber que isso ia muito além das roupas, passando pelas conversas do ambiente de trabalho, pelo meu jeito de ser, de pensar, de agir. Basicamente havia uma dualidade entre quem eu era no trabalho e quem eu era fora do trabalho. Eu estava crescendo na carreira, então essa inadequação não parecia ser real. Mas isso não importa, ela era real dentro de mim. E quanto mais eu crescia na carreira, mais essas duas pessoas ficavam diferentes.

Então eu comecei a precisar de cada vez mais lazer para ficar ‘bem’, a fazer cada vez mais atividades para ‘descansar’, a gastar cada vez mais dinheiro para me sentir melhor. “A maior parte de nós passa pelo menos oito horas trabalhando, sem falar do tempo em que buscamos atividades para tentar melhorar o desempenho no trabalho. Meditamos para ter mais atenção, fazemos exercício físico para nos sentirmos melhor, e tudo isso para trabalhar mais. O caminho pode estar certo, mas o motivo para percorrê-lo pode estar errado. Fazer o bem para ser feliz na vida é diferente de fazer o bem para se dar bem no trabalho. Se escolhemos o autocuidado não pelo prazer de receber uma massagem, mas para não ter dor nas costas e, assim, poder trabalhar melhor no dia seguinte, então pode haver algo errado com nossos motivos. Pessoas que orientam sua vida para o trabalho se arrependem, principalmente se o motor for o câncer da humanidade: o medo. Medo de não ter dinheiro, medo de faltar estudo para os filhos, medo de não ter onde morar.” O problema é que se você não toma a decisão de agir de acordo com a sua essência, uma hora a vida fará isso por você. O esforço mesmo que nem seja tanto começa a parecer muito mais do que você tem condições de lidar. Você começa a não conseguir crescer na carreira, a perder o emprego toda hora, a se irritar por qualquer coisa, a ficar doente. É a vida te mostrando que tem alguma coisa errada. E tudo começa a conspirar contra.

“A energia que vem de um trabalho que não faz sentido é ruim, também. Com o dinheiro compraremos comida que vai estragar mais rápido, teremos um carro que vai quebrar a toda hora, entraremos para uma academia que não teremos tempo de frequentar. Comparemos roupas que não usaremos, cursos que esqueceremos. Quando observamos nossa vida e percebemos que vivemos comprando bens que não cumprem sua função de nos fazer viver melhor, pode ser que haja algo errado com a origem do dinheiro. Se ganhamos uma fortuna, compramos um carro e chegamos à nossa casa com cara de zumbis, tem algo errado. Mas a gente segue achando que tudo é normal, que a vida é assim mesmo.

Alguém também já passou por isso?

Me chamo Janaína Paula e sou Coach de Carreira, Life Coach e Professional Coach pelo ICI — Integrated Coaching Institute. Diversos cursos nas áreas de Finanças Pessoais e Empreendedorismo.
Isso tudo começou quando eu trabalhei (por 7 anos!) em uma empresa de consultoria, e depois de ver muita, muita gente (e bota gente nisso!), de todas as formações, níveis hierárquicos e em todos os tipos de empresas, que não aguentava mais trabalhar só pelo dinheiro mas que não sabia o que fazer, ou até sabia mas não tinha coragem de mudar, desenvolvi uma metodologia utilizando conhecimentos de psicologia positiva, coaching, Business Model, gestão de projetos e empreendedorismo para ajudar pessoas a reencontrarem seu caminho. Também sou meia maratonista, faixa verde de krav maga e mãe de uma shitzu de olhar lânguido e dissimulado chamada Capitu.