Autonomia vs trabalho — Ou o que você faz em uma terça-feira qualquer entre as 10h e as 11h30

Vejo que às vezes as pessoas estranham como eu consigo fazer coisas como correr 10k no meio do dia, ou manter uma rotina de corrida, Krav Maga, trabalho, casa, cursos e ainda viajar para visitar minha família ou para eventos do Krav Maga, e fazer tudo direito e bastante.

Nem sempre foi assim. No início da carreira ficava triste porque tinha tempo, mas não tinha dinheiro para fazer nada. Como eu sempre fui uma pessoa que se interessava por uma variedade enorme de temas, pensava: “quando eu tiver dinheiro vou fazer tantas coisas…” O problema é que quando eu comecei e ter dinheiro, não tinha mais tempo. Me matriculava em aulas que não ia, marcava exames e não fazia torcendo pra melhorar sozinha, cheguei a marcar uma viagem que tive que cancelar em cima da hora, me inscrevia em corridas que não conseguia ir simplesmente porque estava cansada demais para levantar da cama. Sentia como se tivesse vendido minha alma.

No início pensava: “Bom, se tem tanta gente que aguenta, eu também aguento.” “É normal, trabalhar é assim mesmo.” Ou ainda: “Eu escolhi crescer na carreira, então esse é o preço que eu tenho que pagar.” “Eu nem trabalho tanto assim.” Mas com o tempo comecei a ter uma doença atrás da outra, às vezes mais de uma ao mesmo tempo, elas começaram a aumentar de gravidade, até que eu finalmente aceitei que talvez não viveria até os 50 se continuasse assim. Realmente tem bastante gente que aguenta, mas tem bastante gente que não aguenta também. E foi bem difícil pra mim aceitar que eu era uma dessas pessoas e abrir mão da minha carreira.

Hoje penso que exceto o salário certinho todo mês na conta, não abri mão de nada. O cargo, a empresa, o status, nada era realmente importante pra mim. E pra falar a verdade tenho até orgulho de ter tido a coragem de abrir mão da antiga carreira, em troca de mim mesma. De ter tido a coragem de ir atrás de um trabalho que fizesse mais sentido pra mim e que me permitisse ter mais autonomia para viver.

O que é óbvio e ao mesmo tempo não é nada óbvio. Apesar de parecer lógico que melhorar a essência, o formato ou mesmo o ambiente do nosso trabalho significa melhorar as nossas vidas, afinal passamos a maior parte do tempo trabalhando, a grande maioria das pessoas não faz isso. E não é fácil mesmo, pra mim não foi também. Porque não sabemos o que gostaríamos de fazer, porque falta coragem, porque a gente carrega uma série de crenças limitantes sobre o trabalho, porque não priorizamos o assunto, ou porque simplesmente temos preguiça de pensar nisso diante de tantas preocupações do dia-a-dia. Em momentos diferentes eu tive todas essas questões me atrapalhando.

Mas finalmente consegui mudar. Troquei os pensamentos anteriores por: “No fim da vida não vou me orgulhar da minha trajetória em nenhum aspecto da vida se continuar assim, e acho que terei dificuldade de lidar com isso.” Então comecei a buscar não só um trabalho que tivesse mais significado pra mim, como que me permitisse viver de forma plena os outros lados da minha vida para construir coisas importantes pra mim nestas áreas também.

Não é que hoje eu trabalhe pouco, trabalho umas 10 horas por dia como a maioria. Mas hoje eu consigo escolher que horas vou fazer isso boa parte do tempo. Trabalho quase a mesma quantidade de horas e tenho a vida igualmente agitada, mas consigo conciliar muito mais o trabalho com os outros lados da minha vida.

Claro que precisamos ganhar dinheiro, mas precisamos buscar sempre formas de fazer isso com equilíbrio. Somos profissionais, pais e mães, maridos e esposas, filhos, amigos, indivíduos, e podemos ainda criar outros lados, quem sabe voluntários, professores, atletas. Quando você deixa um aspecto da vida de canto, mais cedo ou mais tarde ele vai te lembrar que está lá e te forçar a olhar pra ele. E às vezes isso vai vir de formas bem difíceis. Pode vir na forma de doenças, de depressão, da perda de amigos, não construir uma família, e até mesmo você não tendo ninguém pra comemorar quando chegar ao topo da sua carreira.

Agora chegou a hora em que alguém vai falar: “Bonito isso, mas se todas as pessoas resolverem viver dessa forma, não vai ter gente para trabalhar nas grandes empresas.” E isso é verdade. Mas trabalhar nas grandes empresas para o resto da vida é o que você quer fazer?

Se precisar de ajuda nessa jornada, conte comigo. Você pode me encontrar pelo meu site ou pela minha página no Facebook.

Me chamo Janaína Paula e sou Coach de Carreira, Life Coach e Professional Coach pelo ICI — Integrated Coaching Institute. Diversos cursos nas áreas de Finanças Pessoais e Empreendedorismo.
Isso tudo começou quando eu trabalhei (por 7 anos!) em uma empresa de consultoria, e depois de ver muita, muita gente (e bota gente nisso!), de todas as formações, níveis hierárquicos e em todos os tipos de empresas, que não aguentava mais trabalhar só pelo dinheiro mas que não sabia o que fazer, ou até sabia mas não tinha coragem de mudar, desenvolvi uma metodologia utilizando conhecimentos de psicologia positiva, coaching, Business Model, gestão de projetos e empreendedorismo para ajudar pessoas a reencontrarem seu caminho. Também sou meia maratonista, faixa verde de krav maga e mãe de uma shitzu de olhar lânguido e dissimulado chamada Capitu.