Você está preparado para viver (e trabalhar) até os 100 anos?

Dado que somos a primeira geração que sabe que vai viver e trabalhar por muitos anos, como estamos nos preparando para isso?

No dia 7/5 tive a oportunidade de assistir à palestra “Você está preparado para viver até os 100 anos?”, de Denise Mazzaferro, Lilian Lang e Mórris Litvak no Festival Path. Tirando que isso foi apenas um dia depois do meu aniversário, tudo bem. rs Mas eles trouxeram muitas reflexões importantes sobre como vamos lidar com as nossas carreiras, dado que vamos viver e trabalhar muito mais do que as gerações anteriores, e por isso resolvi fazer um post mesclando o conteúdo dessa palestra tão interessante com aprendizados pessoais em função do meu trabalho como coach de carreira.

A revolução da longevidade já chegou e vai nos obrigar a rever o modelo tradicional da vida profissional, hoje focada em educação, trabalho e aposentadoria. Quando a aposentadoria foi criada por Bismarck, a expectativa de vida era de 46 anos, então ninguém chegava a se aposentar. Hoje há quem diga que a geração Y poderá passar dos 100 anos.

Pesquisas com comunidades que vivem até mais de 100 anos atualmente indicam que existem alguns pontos comuns entre elas:

· Costumam ser semi-vegetarianas

· Não comem à noite

· Comem só 80 por cento do que os sacia a cada refeição

· Bebem de maneira moderada mas com frequência

· Praticam atividades físicas incorporadas ao seu dia-a-dia, muitas vezes ao seu trabalho mesmo (não precisa correr maratona!)

· A família é sempre o centro das relações, dedicam tempo a ela, têm companheiros para a vida toda

· Fazem parte de algum grupo religioso pelo menos uma vez por semana

· Andam com as pessoas “certas”, que têm bons hábitos

· Têm rituais que ajudam a desacelerar

· E o que mais tem a ver com o nosso tema: têm um projeto de vida, querem realizar coisas independente da idade que têm. (Aliás você quer realizar alguma coisa?)

E esse projeto não precisa ser nada megalomaníaco não, na maior parte das vezes é algo até simples.

Mas calma. Antes que você pense assim como eu “ih, ferrou!”, saiba que só 20% da longevidade é genética, 80% é o que a gente faz. Então talvez ainda tenha saída. rs

Existem alguns pilares vida ativa que contribuem com a longevidade, como estarmos sempre aprendendo ao longo da vida, nos sentirmos seguros em todos os sentidos, entre vários outros, mas aqui vamos focar no tema da carreira.

Pergunte aos seus avós qual era (ou ainda é) o propósito de vida deles. Muito provavelmente eles não saberão dizer. E não é por ignorância, é que simplesmente essa palavra não era um problema na época deles, trabalhar tinha o único objetivo de ganhar dinheiro. A nossa geração na maioria das famílias foi a primeira que pôde se dar ao luxo de ter essa preocupação quanto ao seu propósito (e ainda bem que isso é possível!). Mas isso dificulta as coisas pra gente no sentido de não termos com quem trocar experiências sobre isso, sobre o que a pessoa fez para definir um propósito, o que ela fez se o propósito que ela escolheu não deu certo, como ela viabilizou se sustentar a partir dele.

Teremos que construir nosso próprio passo-a-passo sozinhos.

Achamos estranho pessoas jovens não terem sonhos, achamos que elas têm algum problema, mas achamos normal pessoas idosas não terem. Sempre perguntamos aos nossos avós quais eram os sonhos deles quando eram jovens, nunca perguntamos quais são os sonhos deles agora que têm 70, 80, 90 anos. Mas lembre-se que você vai viver até os 100.

Como será viver aproximadamente 40 anos sem sonhos?

Se envelhecer com sonhos é difícil, sem eles é muito pior. Sem falar que até as opções de sonhos parece que diminuem para as pessoas mais velhas. O importante é saber hoje que temos que fazer a lição de casa todo dia: saber que cada um vai envelhecer do jeito que é hoje, quem é chato hoje será chato quando for mais velho, quem conversa com todo mundo na rua idem, e se você não sabe o que quer hoje, quando for mais velho e as opções forem menores, será muito mais difícil saber o que quer.

Autoconhecimento será cada vez mais importante, para que com 60 anos você não esteja ainda procurando um emprego que não faz sentido.

Já se diz que teremos várias carreiras ao longo da vida. Isso faz sentido do ponto de vista prático, já que um professor de educação física por exemplo provavelmente não conseguirá dar suas aulas até os 80 anos, e do ponto de vista psicológico, pois nossos interesses, gostos, habilidades, valores, necessidades e motivações provavelmente mudarão durante todo esse tempo e a gente não vai querer fazer sempre a mesma coisa. E isso é esperado, é sinal de evolução não sermos os mesmos a vida toda. Se aos 5 anos você gostava de brincar de boneca e não gosta mais aos 35, provavelmente também terá gostos diferentes dos atuais aos 65.

Por isso aumentará a experimentação, pessoas se lançando a aprender e fazer coisas produtivas que nunca fizeram antes, muitos anos depois de terem deixado os bancos universitários.

Não teremos garantia que alguém vai cuidar da gente, muitos de nós estão escolhendo não ter filhos, e mesmo que os tenhamos, não sabemos como será a cabeça da próxima geração que está vindo e mais do que nunca nada garante que eles cuidem da gente. A aposentadoria não cuida mais da gente faz tempo e já não podemos mais sequer contar com ela. Mais motivos para precisarmos trabalhar até muito tarde. Nesse momento pode ser que os amigos façam grande diferença nas nossas vidas.

Pode ser que precisemos empreender com nossos amigos para garantir nosso sustento, ou até morar com eles em pequenas comunidades de pessoas mais velhas que se ajudam e cuidam umas das outras mutuamente.

Mas as organizações ainda não estão preparadas/interessadas em nos receber mais velhos, aliás elas não estão preparadas para receber a geração Y nem agora que ainda somos jovens. E é fato que os RH das empresas não sabem lidar com entrevistar uma pessoa de 60 anos, e até mesmo com lidar com conflitos de gerações entre pessoas de 60 e de 20 anos na mesma área. O que pode facilitar coisas para nós é que muitos dos nossos empregos futuros ainda estão sendo inventados, não haverá mais tantos empregados, haverá mais empreendedores, e no empreendedorismo não importa a idade que você tem.

Por isso, ter opções de carreira será cada dia mais valioso — pode ser que hoje você não faça nada com um curso de fotografia, mas lá na frente pode fazer diferença.

Quantas carreiras você tem hoje? Você tem um plano A, plano B ou até um plano C de vida? Se precisar de ajuda para ter mais opções e se planejar melhor para esse momento da vida, conte comigo. Trabalho como coach de carreira, ajudando pessoas a encontrarem trabalhos que façam mais sentido para elas e ajudando-as a viabilizar sua transição. Você pode me encontrar pelo site ou pela página no Facebook.

Me chamo Janaína Paula e sou Coach de Carreira, Life Coach e Professional Coach pelo ICI — Integrated Coaching Institute. Diversos cursos nas áreas de Finanças Pessoais e Empreendedorismo.
Isso tudo começou quando eu trabalhei (por 7 anos!) em uma empresa de consultoria, e depois de ver muita, muita gente (e bota gente nisso!), de todas as formações, níveis hierárquicos e em todos os tipos de empresas, que não aguentava mais trabalhar só pelo dinheiro mas que não sabia o que fazer, ou até sabia mas não tinha coragem de mudar, desenvolvi uma metodologia utilizando conhecimentos de psicologia positiva, coaching, Business Model, gestão de projetos e empreendedorismo para ajudar pessoas a reencontrarem seu caminho. Também sou meia maratonista, faixa verde de krav maga e mãe de uma shitzu de olhar lânguido e dissimulado chamada Capitu.