Quem é o responsável por tecnologia e dados na sua cidade ?

À maneira com que se toma decisões públicas precisa ser racionalizada e justificada. Ela precisa ser tomada baseada em dados concretos e na experiência com que ela impacte os cidadãos.
Em 2020 teremos +30 bilhões de aparelhos conectados a Internet, são sensores, celulares, pessoas e coisas em geral. Atualmente, muitas soluções aparecem para nós em anúncios de redes sociais, aplicativos no celular, jogos, entretenimento na TV e novas experiências de interatividade, tentando fisgar nosso interesse ou necessidade.
A digitalização do que fazemos nos dias de hoje, está cada vez mais rápida e eficiente, pois as soluções criadas para todos nós podem receber rápidos feedbacks sobre o suas deficiências e assertividade. Ao mesmo tempo, estas soluções não são físicas e permitem que os aprendizados destes usuários possam ser medidos e sirvam de base para outras novas soluções imediatamente.
A maior loja do mundo, a Amazon, disponibiliza uma nova versão da sua loja à cada 11.6 segundos. Não estou dizendo que é um novo produto disponível, mas uma nova versão da loja, seja uma nova funcionalidade, melhoria ou um bug resolvido em sua plataforma. Ou seja, com base no comportamento de seus usuários — com relação à dificuldades ou oportunidades — é possível melhorar a experiência dos clientes.
Este fenômeno é descrito por Salim Ismail como “Organizações Exponenciais” que são novas empresas que adotaram uma forma diferente de fazer negócios e observaram um rápido crescimento em um curto período de tempo em comparação com seus pares.
As antigas estruturas lineares e com hierarquia criam diversas obstáculos para o desenvolvimento de soluções para um número grande de usuários em curto espaço de tempo. Na era digital isto ficou explícito.
Para buscar agilidade e eficiência é necessário construir infraestrutura e criar culturas flexíveis, que estejam preparadas para adaptações.
Medir o impacto social
Atualmente, temos a oportunidade de criar soluções novas e medir seu impacto de maneira rápida com o uso de tecnologia. Uma das maneiras de oferecer esta agilidade é organizando e interpretando dados de forma objetiva.
Acredito que, para construção de políticas públicas, é necessário o apontamento de diversos indicadores e que estes sejam eficientes para a compreensão daquilo que é de interesse da população. Precisamos medir nossas necessidades como sociedade, monitorar indicadores relevantes e mensurar os resultados das políticas adotadas por gestores públicos.
Um exemplo é o utilizado e muito debatido "PIB". O Produto Interno Bruto é um índice econômico do que é produzido em um determinado local. Mas, seria a produção de uma cidade ou país, a única referência a ser considerada em uma análise? Tenho certeza que não!
Vejo a necessidade de novos regras para aferir nossas políticas, como o índice de “Felicidade Interna Bruta”. Esse parâmetro, que mede o compromisso de governantes na construção de uma economia adaptada à cultura de seu país, foi proposto pelo rei do Butão, em 1972, quando recebeu críticas sobre sua economia e que é uma ideia muito mais interessante para medir o interesse público.
Outro exemplo local, que gosto sempre de falar é o mapa da desigualdade em São Paulo, divulgado em 2016 pela Rede Nossa São Paulo.
Esse mapeamento, feito com dados econômicos e sociais, torna possível verificar as deficiências de cada região na cidade e focar as ações de gestores para reduzir estas diferenças.
A continuidade de ações positivas
Vivemos um momento em que políticas públicas são substituídas outras equivalentes, para não dizer iguais, apenas por uma questão de “marca” de um partido ou gestão. Precisamos formar estruturas públicas que considerem a continuidade de ações positivas, exclusivamente, por seus resultados.
Uma inspiração já existente no direito é a TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). São documentos assinados por partes que se comprometem — perante procuradores da República — a cumprir determinadas medidas para resolver problemas ou a compensar danos e prejuízos já causados. Os TACs antecipam a resolução dos litígios de uma forma muito mais rápida e eficaz do que se o caso fosse a juízo.
Desenvolvemos, há muitos anos, o IOTA (Indicators of transparency and accountability). Inicialmente foi uma demanda do Programa Cidades Sustentáveis, por um software livre para monitoramento e visualização de indicadores de cidades, que permitisse o acompanhamento de maneira transparente- por gestores e população- a evolução dos resultados dos programas de governo.
Atualmente esta plataforma também foi implementada na cidade de São Paulo, como observatório da cidade. Outras iniciativas podem também fazer uso dos dados coletados pela IOTA e desenvolverem novas perspectivas, entendimento e soluções para os problemas municipais.
Olhar para o passado para pensar o futuro não é o suficiente
O pensamento linear, para construir políticas públicas baseadas em evidências do passado, não pode ser mais a única estratégia dos novos gestores.
É importante implementar centros de acompanhamento e conhecimento baseado em dados que forneçam respostas sobre o que é necessário desenvolver para uma maior equidade e combate à injustiças sociais. Esse, ao meu ver, é o papel do responsável por tecnologias e dados de um município. Para o futuro, é mais importante fazer boas perguntas do que apenas encontrar soluções superficiais.
Por isso, faço um convite para gestores públicos e desenvolvedores a pensar em novas perguntas e criar outras medidas que expressem nossa realidade.
Se quiser saber mais ou entrar neste debate, entre em nosso site e acompanhe nossas redes sociais e a publicações do appcívico.

