RS tem aproximadamente 600 crianças e adolescentes aptos para adoção

4.791 crianças e adolescentes estão disponíveis no CNA. Foto: Lia de Paula/Agência Senado

Quinhentas e noventa e sete crianças e adolescentes estão a espera de um lar no Rio Grande do Sul. Os dados disponíveis no dia 28 de junho são do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), atualizado diariamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao todo, o país conta com 4.791 crianças e jovens que ainda não estão no processo de adoção.

O RS é o segundo estado com o maior número de cadastros disponíveis e corresponde a 12,46% da totalidade do país. Em primeiro lugar está São Paulo, com 1.146 crianças e adolescentes (23,92%). Já o número de pretendentes no estado é nove vezes maior que o número de registros disponíveis no RS. Conta com 5.381 pessoas aptas, ou seja, 14,26% do total brasileiro.

Segundo a assistente social da Coordenadoria da Infância e Juventude do Rio Grande do Sul (CIJRS), Angelita Rebelo de Camargo, o número de pessoas aptas é superior porque na hora do cadastro os pais escolhem o perfil específico dos menores. Ainda conforme Angelita, a descrição mais procurada é de crianças menores de cinco anos, da raça branca, sem irmãos e saudáveis.

Em todo o Brasil apenas 5,1% dos menores disponíveis têm cinco anos ou menos. Acima de cinco anos o número é de 94,9% e esse é um dos motivos para a quantidade de futuros pais ser superior (37.729 pessoas), visto que o perfil desejado é outro.

No estado, ao todo são 1.171 crianças e jovens no CNA, no entanto 49% das pessoas estão vinculadas, ou seja, já estão no processo de adoção e na “fase de aproximação”.

Projetos da Coordenadoria da Infância e Juventude visam mudar esse panorama

Campanha visa a reflexão por parte dos pretendentes. Foto: Reprodução/ Site JIJ/RS

Em outubro de 2016, a CIJRS lançou a campanha “Deixa o amor te surpreender” com o intuito de que houvesse uma reflexão e uma flexibilização do perfil desejado pelos futuros pais. Um dos projetos é o “Busca Se(R)”, onde é disponibilizado para os pretendentes uma tabela com dados sobre as crianças e adolescentes (iniciais, idade, raça e situação de saúde) no site do Juizado da Infância e Juventude (JIJ / TJRS). A tabela é atualizada quase que diariamente pela CIJRS.

O objetivo do projeto é ampliar a busca por pessoas habilitadas à adoção e fazer com que reflitam e tentem flexibilizar o perfil desejado das crianças e adolescentes que não foram adotados a partir do CNA.

Outra iniciativa proposta é o projeto “Apadrinhar”, onde os menores com colocação de difícil adoção são apadrinhados e passam a ter direito a uma presença cotidiana mais próxima da vida familiar. Essa ideia visa oportunizar a criação de vínculos de afetividade, questão fundamental para o desenvolvimento da vida adulta.

Outras informações sobre os projetos da CIJRS podem ser obtidas através do e-mail cijrs@tj.rs.gov.br ou no site do JIJ / TJRS, http://jij.tjrs.jus.br/

Uma nova família

Michelle Brandt Torralbas, assistente técnica de 35 anos, foi adotada aos 13 anos de idade após se tornar órfã.

“Minha mãe biológica faleceu quando eu tinha seis anos e meu pai quando fiz 13. Após a morte dele fui adotada”, conta Michelle.

Por ter sido adotada já com uma idade avançada para os parâmetros desejados pelos futuros pais, no início foi difícil a aceitação por parte da família adotiva, sobretudo por já estar na pré-adolescência, mas com o passar dos anos as relações melhoraram.

De acordo com Michelle, seu relacionamento com os pais foi bom após a adoção, porém foi mais complicado com sua mãe.

“Com minha mãe adotiva foi mais complicado porque ela era muito protetora. Achava que pelo fato de eu ser adotada a responsabilidade tornava-se ainda maior.”

Com três irmãos na família adotiva, Brandt conta que mantém uma relação normal com eles. Fala que de vez em quando brigam, desentendem-se e depois fazem as pazes, assim como em qualquer relação fraterna. E, por fim, afirma que sua relação é bem melhor com eles do que com seus irmãos biológicos.