Cobrindo as mulheres na religião patriarcal / O que constitui Uma prática cultural prejudicial?
Por Sheila Jeffreys em Beleza e Misoginia
Cobrindo as mulheres na religião patriarcal
Embora a objetificação sexual tenha requerido das mulheres no ocidente possa parecer muito distinta do cobrimento requerido nos regimes islâmicos, é instrutivo considerar as bases culturais idênticas que as culturas ocidentais e islâmicas desenvolveram. Cobrir a cabeça das mulheres é uma prática cultural das tribos do oriente médio que encontraram desse modo, pelas religiões monoteístas que originaram nessa região, para outras partes do mundo. O cobrimento das cabeças e corpos foi imposto a algumas mulheres cristãs no ocidente até pouco tempo atrás. Em minha infância em Malta nos anos 50, onde meu pai foi colocado com o exército, eu lembro dos noticiários nos ônibus que instruíam as mulheres a ‘’vestirem um vestido Marylike’’. Mulheres que entravam nas igrejas em muitas partes em muitas partes da Europa continuam sendo obrigadas a cobrir suas cabeças. A religião cristã, como o islamismo, e outras religiões monoteístas patriarcais, como o judaísmo, têm suas raízes nas antigas culturas patriarcais que existiram no Oriente Médio. Nessas antigas culturas as mulheres respeitáveis eram obrigadas a serem cobertas como no código babilônico do Hammurabi. Gerda Lerner explica em The Creation of Patriarchy (A Criação do Patriarcado) que o código que antecedeu essas três religiões obrigava as mulheres que não eram prostitutas a se cobrirem, assim podiam identificar que não eram propriedades dos homens em geral.
No antigo cristianismo um código similar foi imposto. Como na carta de Paulo aos Corinthians no Novo Testamento onde ele estabelece a lei do cobrimento. Ele explica que a ‘’cabeça de cada homem é Cristo; e a cabeça de cada mulher é o homem; e a cabeça de Cristo é Deus’’. Isso é para ser demonstrado através do cobrimento da cabeça assim:
Todo homem rezando ou profetizando, tendo sua cabeça coberta, desonra sua cabeça. Mas toda mulher que reza ou profetiza com a cabeça descoberta desonra sua cabeça; é a mesma coisa se ela estiver raspada. Por isso a mulher não coberta deixa também ser raspada: mas se for uma vergonha para a mulher ter o cabelo cortado ou raspado, ela deve estar coberta. Um homem certamente não deveria cobrir sua cabeça, porquanto como ele é a imagem e glória de Deus: mas a mulher é a glória do homem. O homem não é da mulher; mas a mulher do homem. Não foi o homem criado para a mulher; mas a mulher para o homem.
(Corinthians, 1957, 11: 3±15, p. 181)
O cobrimento da cabeça de uma mulher deve mostrar que ela é posse de um homem. Outras práticas prejudiciais do antigo cristianismo acompanha o código de vestimenta. As mulheres não podiam falar na igreja, embora tivessem permissão para perguntar a seus maridos sobre algo que elas não entenderam quando voltassem para casa, e elas eram ordenadas a ‘’submeterem-se a seus próprios maridos como a Deus’’ (Efésios, 1957, 5: 22, p. 200).
Um ramo da religião cristã atual vai um pouco mais longe que simplesmente cobrir as mulheres. As mulheres são atualmente excluídas do todo do Mount Athos na Grécia que é coberto de monastérios gregos ortodoxos, assim os monges são protegidos de ver elas. Em 2004 essa antiga prática cristã recebeu endosso influente da visita, relatada na mídia, do Príncipe Charles a um monastério da montanha. A montanha excluía mulheres desde o século onze e com o status de uma república teocrática independente é autorizada a impor penas legais a quem desafia a proibição. Charles visitou muitas vezes depois da morte de sua ex-esposa, Diana, e foi dito que ganhou grande consolo desse refúgio, um lugar onde as leituras no refeitório ‘’são frequentemente baseadas em… o mal causado pelas mulheres com a queda de Eva’’. A existência contínua dessa zona de exclusão, apesar das tentativas da União Europeia para revogar a proibição é um lembrete importante dos valores das mulheres que constituem a base do cristianismo patriarcal.

O que constitui Uma prática cultural prejudicial?
Eu sugeri nesse capítulo que tanto as culturas ocidentais influenciadas pelo cristianismo quanto as culturas influenciadas pelo islamismo aplicam práticas culturais prejudiciais nas mulheres. Apenas uma determinação para ignorar as origens, funções e consequências políticas das práticas de beleza ocidentais pode possibilitar a crença que a cultura ocidental é claramente superior na liberdade que concede às mulheres em relação à aparência. Enquanto todas as três culturas religiosas patriarcais originadas no antigo Oriente Médio começaram forçando o cobrimento de mulheres, isso foi mudado no ocidente na prescrição aparentemente muito diferente de que as mulheres mostrassem suas curvas em locais públicos. Em algumas áreas do Oriente Médio e na Ásia onde o requerimento de cobrimento tem sido desafiado ou está morrendo fora dele, há uma aplicação renovada da lei. O resultado final é uma aparente divergência cada vez maior entre as regras de aparência para as mulheres no ocidente e no oriente. Ambos os conjuntos de regras de aparência, entretanto, requerem que as mulheres sejam ‘’diferentes/deferentes’’, e ambos requerem que as mulheres sirvam as necessidades sexuais masculinas, seja provendo excitamento sexual ou escondendo o corpo das mulheres ao menos que os homens devam ficar excitados. Em ambos os casos as mulheres são obrigadas a cumprir as necessidades dos homens nos lugares públicos e a não ter as liberdades que os homens possuem.
O conceito de práticas culturais prejudiciais em relação à aparência deve, portanto, não ser restrito às culturas não ocidentais. Todas as práticas de beleza ocidentais consideradas nesse livro, da maquiagem à labioplastia, se enquadram no critério para identificar práticas culturais prejudiciais. Eu argumento que eles criam papeis estereotipados para os sexos, eles são originados na subordinação das mulheres, são pelo benefício dos homens e justificados pela tradição. Isso é certamente possível de argumentar que, como eu demonstro no capítulo 6 sobre maquiagem, que até as práticas que parecem ter menos efeito na saúde de mulheres e garotas, tais como usar batom, podem ser prejudiciais. Embora as práticas de beleza ocidentais sejam raramente forçadas por violência física verdadeira, elas são todas culturalmente forçadas. A falha em usar maquiagem e depilar pernas e axilas pode não ser ‘’socialmente suicida’’ nas culturas ocidentais, mas isso vai, como eu sugiro no capítulo sobre a maquiagem, afetar a habilidade das mulheres para manter um emprego e o grau de influência social que ela pode manejar. As mulheres do parlamento britânico que eu mencionei que eram obrigadas a usar roupas femininas e mostrar as pernas se elas tivessem qualquer legitimidade na legislatura e elas são improváveis de sobreviver se elas permitissem pelos debaixo do braço aparecendo em suas blusas ou pelos nas pernas aparecendo através de suas calças justas.
No entanto, eu sou consciente de que os graus de danos sofridos por práticas como cirurgia plástica e uso de batom não sejam os mesmos. A implicação do reconhecimento das práticas de beleza culturais como práticas culturais prejudiciais é que o governo vai, como requerido pela Convenção da ONU na Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra Mulheres, precisar alterar as atitudes sociais que estão na base delas. No caso de algumas práticas cirúrgicas, algumas consequências são suficientemente severas e o regulamento muito facilmente efetua por penalidades legais médicos praticantes que eles poderiam encerrar através de meios legislativos. Usar batom e se depilar, no entanto, não deve ser isento de ser considerado como prejudicial e exigir solução, embora os legais não possam ser apropriados. Eles marcam as mulheres como subordinadas e claramente demonstram os papeis estereotipados dos sexos, mesmo que não sejam tão severos os impactos na saúde das mulheres. O papel do governo comprometido com o fim de tais práticas, ou de simplesmente aliviar o impacto da exigência cultural que eles podem estar realizando, deve ser, portanto, de combater a criação da diferença sexual de ideias e atitudes, práticas de negócios, que inscrevem essa noção na fundação da cultura ocidental.
Nos próximos capítulos eu examino as práticas de maquiagem, salto algo e cirurgia plástica em detalhes para mostrar como elas são forçadas e quais as consequências para a saúde das mulheres e acesso às prerrogativas comuns dos homens nas sociedades ocidentais que são suscetíveis de tomar como reconhecido: aparecer em espaço público sem disfarce, correr, ter tempo de lazer livre da necessidade de defesa do corpo. Os leitores estarão aptos a fazer suas mentes sobre a apropriação de incluir essas práticas entre os entendimentos das Nações Unidas. No próximo capítulo eu amplio os significados de práticas de beleza femininas na cultura ocidental através da travestilidade/transsexualismo. A performance de práticas de beleza por homens mostra que esse comportamento não é biologicamente conectado às mulheres. Mas isso faz mais que isso. Como eu procuro demonstrar aqui, os praticantes homens têm prazer sexual nessas práticas porque demonstram status subordinado. Isso suporta um entendimento das práticas de beleza como comportamentos de deferência por um grupo subordinado.
Cobrindo as mulheres na religião patriarcal
Embora a objetificação sexual tenha requerido das mulheres no ocidente possa parecer muito distinta do cobrimento requerido nos regimes islâmicos, é instrutivo considerar as bases culturais idênticas que as culturas ocidentais e islâmicas desenvolveram. Cobrir a cabeça das mulheres é uma prática cultural das tribos do oriente médio que encontraram desse modo, pelas religiões monoteístas que originaram nessa região, para outras partes do mundo. O cobrimento das cabeças e corpos foi imposto a algumas mulheres cristãs no ocidente até pouco tempo atrás. Em minha infância em Malta nos anos 50, onde meu pai foi colocado com o exército, eu lembro dos noticiários nos ônibus que instruíam as mulheres a ‘’vestirem um vestido Marylike’’. Mulheres que entravam nas igrejas em muitas partes em muitas partes da Europa continuam sendo obrigadas a cobrir suas cabeças. A religião cristã, como o islamismo, e outras religiões monoteístas patriarcais, como o judaísmo, têm suas raízes nas antigas culturas patriarcais que existiram no Oriente Médio. Nessas antigas culturas as mulheres respeitáveis eram obrigadas a serem cobertas como no código babilônico do Hammurabi. Gerda Lerner explica em The Creation of Patriarchy (A Criação do Patriarcado) que o código que antecedeu essas três religiões obrigava as mulheres que não eram prostitutas a se cobrirem, assim podiam identificar que não eram propriedades dos homens em geral.
No antigo cristianismo um código similar foi imposto. Como na carta de Paulo aos Corinthians no Novo Testamento onde ele estabelece a lei do cobrimento. Ele explica que a ‘’cabeça de cada homem é Cristo; e a cabeça de cada mulher é o homem; e a cabeça de Cristo é Deus’’. Isso é para ser demonstrado através do cobrimento da cabeça assim:
Todo homem rezando ou profetizando, tendo sua cabeça coberta, desonra sua cabeça. Mas toda mulher que reza ou profetiza com a cabeça descoberta desonra sua cabeça; é a mesma coisa se ela estiver raspada. Por isso a mulher não coberta deixa também ser raspada: mas se for uma vergonha para a mulher ter o cabelo cortado ou raspado, ela deve estar coberta. Um homem certamente não deveria cobrir sua cabeça, porquanto como ele é a imagem e glória de Deus: mas a mulher é a glória do homem. O homem não é da mulher; mas a mulher do homem. Não foi o homem criado para a mulher; mas a mulher para o homem.
(Corinthians, 1957, 11: 3±15, p. 181)
O cobrimento da cabeça de uma mulher deve mostrar que ela é posse de um homem. Outras práticas prejudiciais do antigo cristianismo acompanha o código de vestimenta. As mulheres não podiam falar na igreja, embora tivessem permissão para perguntar a seus maridos sobre algo que elas não entenderam quando voltassem para casa, e elas eram ordenadas a ‘’submeterem-se a seus próprios maridos como a Deus’’ (Efésios, 1957, 5: 22, p. 200).
Um ramo da religião cristã atual vai um pouco mais longe que simplesmente cobrir as mulheres. As mulheres são atualmente excluídas do todo do Mount Athos na Grécia que é coberto de monastérios gregos ortodoxos, assim os monges são protegidos de ver elas. Em 2004 essa antiga prática cristã recebeu endosso influente da visita, relatada na mídia, do Príncipe Charles a um monastério da montanha. A montanha excluía mulheres desde o século onze e com o status de uma república teocrática independente é autorizada a impor penas legais a quem desafia a proibição. Charles visitou muitas vezes depois da morte de sua ex-esposa, Diana, e foi dito que ganhou grande consolo desse refúgio, um lugar onde as leituras no refeitório ‘’são frequentemente baseadas em… o mal causado pelas mulheres com a queda de Eva’’. A existência contínua dessa zona de exclusão, apesar das tentativas da União Europeia para revogar a proibição é um lembrete importante dos valores das mulheres que constituem a base do cristianismo patriarcal.
O que constitui Uma prática cultural prejudicial?
Eu sugeri nesse capítulo que tanto as culturas ocidentais influenciadas pelo cristianismo quanto as culturas influenciadas pelo islamismo aplicam práticas culturais prejudiciais nas mulheres. Apenas uma determinação para ignorar as origens, funções e consequências políticas das práticas de beleza ocidentais pode possibilitar a crença que a cultura ocidental é claramente superior na liberdade que concede às mulheres em relação à aparência. Enquanto todas as três culturas religiosas patriarcais originadas no antigo Oriente Médio começaram forçando o cobrimento de mulheres, isso foi mudado no ocidente na prescrição aparentemente muito diferente de que as mulheres mostrassem suas curvas em locais públicos. Em algumas áreas do Oriente Médio e na Ásia onde o requerimento de cobrimento tem sido desafiado ou está morrendo fora dele, há uma aplicação renovada da lei. O resultado final é uma aparente divergência cada vez maior entre as regras de aparência para as mulheres no ocidente e no oriente. Ambos os conjuntos de regras de aparência, entretanto, requerem que as mulheres sejam ‘’diferentes/deferentes’’, e ambos requerem que as mulheres sirvam as necessidades sexuais masculinas, seja provendo excitamento sexual ou escondendo o corpo das mulheres ao menos que os homens devam ficar excitados. Em ambos os casos as mulheres são obrigadas a cumprir as necessidades dos homens nos lugares públicos e a não ter as liberdades que os homens possuem.
O conceito de práticas culturais prejudiciais em relação à aparência deve, portanto, não ser restrito às culturas não ocidentais. Todas as práticas de beleza ocidentais consideradas nesse livro, da maquiagem à labioplastia, se enquadram no critério para identificar práticas culturais prejudiciais. Eu argumento que eles criam papeis estereotipados para os sexos, eles são originados na subordinação das mulheres, são pelo benefício dos homens e justificados pela tradição. Isso é certamente possível de argumentar que, como eu demonstro no capítulo 6 sobre maquiagem, que até as práticas que parecem ter menos efeito na saúde de mulheres e garotas, tais como usar batom, podem ser prejudiciais. Embora as práticas de beleza ocidentais sejam raramente forçadas por violência física verdadeira, elas são todas culturalmente forçadas. A falha em usar maquiagem e depilar pernas e axilas pode não ser ‘’socialmente suicida’’ nas culturas ocidentais, mas isso vai, como eu sugiro no capítulo sobre a maquiagem, afetar a habilidade das mulheres para manter um emprego e o grau de influência social que ela pode manejar. As mulheres do parlamento britânico que eu mencionei que eram obrigadas a usar roupas femininas e mostrar as pernas se elas tivessem qualquer legitimidade na legislatura e elas são improváveis de sobreviver se elas permitissem pelos debaixo do braço aparecendo em suas blusas ou pelos nas pernas aparecendo através de suas calças justas.
No entanto, eu sou consciente de que os graus de danos sofridos por práticas como cirurgia plástica e uso de batom não sejam os mesmos. A implicação do reconhecimento das práticas de beleza culturais como práticas culturais prejudiciais é que o governo vai, como requerido pela Convenção da ONU na Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra Mulheres, precisar alterar as atitudes sociais que estão na base delas. No caso de algumas práticas cirúrgicas, algumas consequências são suficientemente severas e o regulamento muito facilmente efetua por penalidades legais médicos praticantes que eles poderiam encerrar através de meios legislativos. Usar batom e se depilar, no entanto, não deve ser isento de ser considerado como prejudicial e exigir solução, embora os legais não possam ser apropriados. Eles marcam as mulheres como subordinadas e claramente demonstram os papeis estereotipados dos sexos, mesmo que não sejam tão severos os impactos na saúde das mulheres. O papel do governo comprometido com o fim de tais práticas, ou de simplesmente aliviar o impacto da exigência cultural que eles podem estar realizando, deve ser, portanto, de combater a criação da diferença sexual de ideias e atitudes, práticas de negócios, que inscrevem essa noção na fundação da cultura ocidental.
Nos próximos capítulos eu examino as práticas de maquiagem, salto algo e cirurgia plástica em detalhes para mostrar como elas são forçadas e quais as consequências para a saúde das mulheres e acesso às prerrogativas comuns dos homens nas sociedades ocidentais que são suscetíveis de tomar como reconhecido: aparecer em espaço público sem disfarce, correr, ter tempo de lazer livre da necessidade de defesa do corpo. Os leitores estarão aptos a fazer suas mentes sobre a apropriação de incluir essas práticas entre os entendimentos das Nações Unidas. No próximo capítulo eu amplio os significados de práticas de beleza femininas na cultura ocidental através da travestilidade/transsexualismo. A performance de práticas de beleza por homens mostra que esse comportamento não é biologicamente conectado às mulheres. Mas isso faz mais que isso. Como eu procuro demonstrar aqui, os praticantes homens têm prazer sexual nessas práticas porque demonstram status subordinado. Isso suporta um entendimento das práticas de beleza como comportamentos de deferência por um grupo subordinado.

