A arte de mudar o mundo através da Art’e

A humanidade não evolui de forma contínua. Há momentos, alguns deles aparentemente insignificantes, que se transformam num passo gigante para a humanidade. Outros, representam fortíssimos retrocessos. Tem sempre sido um percurso acidentado o que percorre esta nossa humanidade, uma caminho estreito, estranho, sinuoso, sem sinais de orientação, contudo, extraordinariamente complexo quer na beleza e coragem de alguns momentos, como na grave insanidade estrondosa de outros. De alguma forma reflexo da nossa imperfeição absoluta como seres humanos, sendo essa imperfeição o que nos diferencia e nos caracteriza para o bem e para o mal.

Da nossa imensa imperfeição e complexidade como seres humanos, nasce o que denominamos como expressão artística. Nenhum outro ser vivo por si, apresenta esta característica, a necessidade de uma expressão própria de sentimentos, pensamentos, ideias, criatividade e, algumas vezes… muito poucas, surge a genialidade no pensamento artístico num movimento colectivo ou somente um artista em particular o qual, fruto da sua genialidade, cria novas eras de pensamento estético que extravasam a sua arte e se refletem em toda uma sociedade, quer nos comportamentos colectivos, quer na percepção estética de um povo, de uma nação, de um continente, de todos nós.

África é a Terra mãe, terrivelmente bela, graciosamente disfuncional, com infinitas identidades distintas se entrecruzam ou em harmonia ou em guerra, sem que nenhum Africano consiga caracterizar África e nenhum estudioso de outras partes faça mais que pontualizar características ínfimas numa tentativa de explicar o global inexplicável. Talvez, e sublinho talvez… apenas a expressão artística seja o mais preciso espelho deste Continente, dos seus povos, da sua idiossincrasia colectiva, do Africanismo, termo que sabe a pouco, muito pouco ou mesmo a nada, porque não existe africanismo: é redutor e uma perda de tempo tentar definir com uma simples palavra o Afro surrealismo mutante que faz do impossível possível e do imprevisível previsível, seguindo tudo menos uma ordem clara que se possa reduzir a escrito.

Momento de reflexão

Porém, em alguns momentos raros, África descodifica-se um pouco, mostra-se e revela-se perante os seus e perante os outros. Fá-lo de forma discreta porque não gosta de ser compreendida, fá-lo pelas mãos de um artista que esquece os livros de história, a opinião dos outros, dos que mandam e dos que obedecem e, numa tela, numa fotografia, numa outra qualquer expressão visual, cria um momento de exposição compreensível e explicativo da sua própria e saudável esquizofrenia, abrindo uma janela pequena, estreita, de vidro riscado e pouco translúcido, que porém nos permite compreender um pouco o que poderá eventualmente ser esta imensa e incompreendida parte do mundo. Agradecemos e admiramos, não aplaudimos porque não é festa nem número de circo, observamos e aproveitamos para deixar a mente viajar uns segundos nesta jangada de pedra em que vivemos. É Arte? Não…! é bem mais: É Alma em disrupção.

Texto: André Silvestre

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