Sensação e direção

A sensação possui um papel central na arte: direciona-a. Enquanto navegamos para o seu interior, mergulhamos dentro de nossas entranhas perceptivas e nos tecemos para o mundo, de forma que todo o seu conjunto de atualizações aja em nossos corpos: energia, movimento, registro, memória: cor, altura, intensidade, ritmo, forma, textura. Gesto. Percepção. Urgência. Estabilidades, ideias, explosões. Pequenas eternidades cosmicamente interligadas.

Tenho especial apreço pelas sensações em suas transitoriedades. Como o espírito se move de uma sensação a outra? De que é feito esse caminho? A arte digital permite, dentro de um escopo possível, o trabalho com a exatidão e com a determinação. Vetorizando em diferenças e repetições, torna-se possível acessar intuitivamente algumas lógicas dessas vias tão instáveis, tão difíceis de se permanecer em suas correntezas.

Então, por um mundo onde a subjetividade seja compreendida e a abstração penetre cada vez mais profundo nas concretudes do mundo, que se abra um universo de direções alegres, coloridas e mais ou menos assertivas em suas dúvidas: arte, faça-nos conquistar nossas entranhas!