A Universidade e as praxes
Jorge Proença
A Universidade, o essencial da Universidade, respeita à construção do conhecimento na sua permanente luta contra a ignorância, à criação e desenvolvimento de espírito crítico em interminável diálogo entre opostos, à admissibilidade do erro no caminho da verdade, em clima de liberdade e inerente responsabilidade.
É neste ambiente de efetiva liberdade e responsabilidade individual que a Universidade deve estar atenta e combater, com as armas do conhecimento e do saber, a indiferença que cega ou as verdades apriorísticas que, por isso mesmo, dispensam prova, conduzindo-nos por caminhos ínvios ou atalhos sem saída.
Nas Universidades, como em tantas outras instituições, há um défice, porventura mais gravoso e difícil de controlar, de que somos todos, no ensino superior e na sociedade, inteiramente responsáveis e que só nós poderemos solucionar: o défice pedagógico e educativo.
A pior das sujeições é a “praxe” consentida. Apenas na educação encontraremos a solução adequada e duradoura, autenticamente emancipadora; a educação em liberdade e com responsabilidade de que todos deveremos ser autores. Na Universidade, na Escola, na empresa, no clube, na associação, no espaço público, em casa. Combatendo a indiferença e a ignorância atuando em função de valores, no respeito pelo outro. É esse respeito que se exige e impõe e que não pode nunca dar lugar à infâmia e à calúnia como infelizmente tão recentemente aconteceu nestas mesmas páginas.
Excerto de artigo de opinião públicado no Público a 29/01/2014
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-universidade-e-as-praxes-1621439
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