O Leopardo da praxe

Fernanda Câncio


A praxe é hierárquica, é machista, é sexista. São características intrínsecas à praxe da Universidade de Coimbra e quando isso deixar de existir, deixa de ser a praxe da UC.” Quem disse isto? Só pode ter sido um inimigo das praxes, dos que, como temos ouvido de quem as defende, “nunca as experimentou, portanto não sabe do que fala”, não atingindo o quanto estas “tradicionais” práticas, que a história nos garante terem feito mortos e estropiados desde que delas há registo (foram proibidas no século xviii, devido a mortes), são necessárias para a “integração” dos “caloiros” que, asseguram-nos, a elas aderem voluntária e entusiasticamente.
Ameaças, coação, perseguição, violência, arbitrariedade, sexismo, machismo: é isso a praxe. Dizem os “códigos” e o autor das palavras citadas, João Jesus, há 24 anos matriculado na UC e dux (chefe praxista) lá do sítio. Ou dizia-o em 2012 ao jornal universitário de Coimbra: esta semana, na RTP, saiu-lhe “a praxe tem de evoluir para subsistir.” Cinismo, sim (a TV não é A Cabra), mas sabedoria, também. Há pelo menos 24 anos que sabe que estas indignações vêm e vão, e tudo fica na mesma.

Excerto de artigo de opinião publico no Diário de Notícias a 07/02/14

Email me when Artigos de Opinião publishes stories