Jornada para a Terra dos Cornos, parte 4 (ou: Carregando o mundo nas costas)

O que é um herói?

Ou, talvez, o correto seja perguntar: o que cria um herói?

É a abnegação? A pura convicção moral?

Não. Heróis são humanos, cheios de falhas e vícios. Seus objetivos nem sempre são nobres, podem ser egoístas.

Então o que é? O destino? A sorte?

Nada disso. Heróis são forjados pelas necessidades e temperados pelas agruras. Eles se erguem acima dos demais porque se mantêm em pé, não importando o peso sobre seus ombros.

Mas há algo mais que forma um herói. Por mais egoísta e falho que seja, o herói sacrifica a si mesmo antes de cogitar sacrificar outrem. Ele está disposto a sofrer, mas não a espalhar sofrimento.

Com sua resiliência e força de vontade, heróis nos inspiram, nos enchem de esperança, nos fazem acreditar que nossos esforços valem a pena, que podemos construir grandes obras. E assim, levam-nos a buscar o melhor em nós mesmos, a superar nossos limites.

No mundo de hoje, utilitário, pragmático e acovardado, precisamos de heróis para nos lembrar de que a vida real é árdua, que o bem não se fará sozinho e que nós não podemos contar com benfeitores ou com a sorte. Somos nós quem controlamos as rédeas de nossos destinos e os conduzimos pelo traiçoeiro terreno da existência.

Em alguns dias, você conhecerá Zé Calabros, cabra-macho do sertão. Um homem que perdeu tudo muitas vezes. Um errante com sonhos impossíveis. Um santo que, na ausência dos deuses, decidiu fazer seus próprios milagres.

Esteja preparado, leitor, pois a jornada será árdua, os perigos serão inúmeros, e o destino não tem piedade.

Afinal, o caminho para a grandeza é pavimentado com dificuldades.

Nossa aventura começa em uma semana.

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