Como faz para se abrir?

Estou bem distante de pessoas, até das mais próximas. Vida, correria, compromissos de "gente grande"… Não sei bem o que estou escrevendo aqui, só para avisar. Estou tentando conversar em voz alta comigo mesma. Na real, estou me sentindo sozinha. Totalmente sozinha. E olha que hoje eu liguei e conversei duas vezes com minha mãe, falei com meus colegas de trabalho e conversei -discuti- com meu namorado algumas vezes. Mas sabe aquela solidão? Solidão pesada, que tira a fome, que dá insônia? É a que eu sinto. E já faz um tempo. Tudo me deixa mal. Que dizer, me deixa pior pois mal eu já estou e não é de agora.

Um resumo do meu dia foi: forçar-me a levantar da cama, pegar o ônibus depois de muita espera na parada, dormir no ônibus por estar doente/cansada, descer do ônibus no meio de um torô e se molhar toda após passar mal, chegar ao trabalho, sentir que não estou conseguindo desempenhar meu trabalho direito, almoçar em 6 minutos, pegar ônibus para a universidade, ver um senhor na parada com uma feição extremamente triste e ficar triste por isso, dormir de novo, chegar atrasada à aula, não conseguir focar e só passar tempo olhando para o nada enquanto a aula não acaba, ir andando para casa e deitar. Claro que deve ter acontecido algo bom no meu dia, mas eu não consigo me lembrar. Só consigo pensar no cara triste da parada, no tempo perdido, que o professor de Controle e Automação está me ignorando, que eu sou retardada, e que eu estou sozinha.

O pior de tudo: sentir-se sozinha quando não se está sozinha pessoalmente. E não saber se os problemas da vida estão sendo causados pela minha tristeza frequente ou se a tristeza aparece porque os problemas são frequentes. Eu realmente queria ter empolgação de contar coisas legais aqui. De como foi o primeiro almoço feito por mim e pelo meu namorado juntos, como está sendo legal aprender francês novamente, como eu fiz meu primeiro projeto voltado a design de produto, como é morar realmente sozinha… Mas nem tenho coragem. Estou desistindo de tudo aos poucos. Como meu namorado diz: "tu vives cansada, mozão". E é a verdade. Porque eu cansei de mim. E não dá para me afastar de mim.

Minha vida não é uma merda. Merda mesmo é minha cabeça e o que ela faz comigo. Ela me detona. Mas não foi assim sempre. E nem sei quando eu me perdi nisso, nessa monotonia de "desistir/me cansar das coisas". São coisas demais numa mente tão fodida. Eu queria ser boa em algo. Queria ser boa mesmo. Eu era esforçada, todo mundo dizia que eu ia ser boa. Mas não me sinto assim. Não me sinto boa o suficiente.

Tenho 21 anos, curso uma graduação legal, tenho um emprego, moro sozinha, pago minhas contas, tenho uma família tranquila, tenho um namorado e tudo deveria ser lindo. Eu deveria estar satisfeita e feliz. Eu tenho o que o monte de gente quer e não pode. Várias pessoas desejariam ter uma vida assim. E por que eu não estou feliz? Por que não me sinto bem vivendo essas coisas, estando com essas pessoas?

Pesquisei sobre suicídio no Google ontem à noite. A primeira coisa que aparece é: "Você precisa de ajuda? Liguei 141". Fui ao site do "Centro de Valorização da Vida" ou "Como vai você?" -gosto mais da segunda alternativa- e pedi para falar com alguém via chat. Passei quase uma hora esperando para conversar com alguém, e ainda não havia chegado minha vez na fila. Resolvi desistir. Não, eu não quero/queria tentar suicídio, só queria me abrir com alguém. Abrir-me sem julgamentos. Uma pessoa desconhecida não pode lhe julgar pois ela não te conhece e isso é ótimo. E no fim, não deu. Será que o senhor da parada também precisava conversar, assim como eu? Eu não tiro isso da cabeça.

Por que estou postando esse texto estranho? Porque agora é a única forma de aliviar a mente. E, sei lá, fico na esperança que encontre o alguém estranho para desabafar. Ou que um dia, alguém com respostas encontre isso e me ajude. É um pedido de ajuda.