A crônica de um cochilo

Leandro Rodrigues

São uns poucos minutos. 15 a 20, não mais que isso. São 19:30hs, minhas forças já se foram há muito tempo, depois de mais um dia duro de trabalho. Eu nem cogito lutar, apenas me encosto ao vidro e apago. Tal é o meu cansaço e tão irresistível é o sono que, nesse período, esqueço-me de tudo que existe no universo. Esqueço as contar a pagar; os trabalhos atrasados da faculdade; o estresse do trabalho; a espera infinita por uma entrevista de estágio; esqueço até o peso da mochila que carrego no colo.

Muitos de vocês que por ventura leem este texto já presenciaram essa cena (todos os dias, provavelmente), ou, já se pegaram nessa situação. Eu mesmo já cansei de testemunhar essas sonecas ao balanço do busão. E não apenas nesse horário das 19:30h. A bem da verdade não é nada difícil ver dorminhocos no ônibus ou no metrô entre as cinco da tarde e as oito da noite. O que é muito compreensível, afinal ninguém é de ferro, ainda por cima de depois de oito, dez horas de ralação! É engraçado que, quando a gente olha fica se perguntando: como é alguém consegue dormir assim, num assento desconfortável de coletivo e sujeito todos os trancos, freadas bruscas e a todo o balanceio do veículo? A gente acha aquilo um negócio pra lá de estranho, porém, quando acontece conosco é que nos damos conta de que também somos humanos e que estamos sujeitos a essas pequenas necessidades.

Voltando então á minha siesta, é como se as energias do meu corpo se esvaíssem de tal forma que não consigo nem pensar naqueles minutos. Durmo um sono profundo, sem sonhos, letárgico. O corpo simplesmente desliga. De vez em quando, num rápido despertar, me flagro babando; felizmente, a tempo de não ser visto. Aliás, falando em despertar, uma coisa que me intriga é que, não importa o quão cansado eu esteja e quão profundamente eu cochile, eu sempre desperto a tempo de não perder o ponto onde vou saltar. É como se eu tivesse um despertador dentro de mim programado automaticamente para me acordar na hora de descer. Ou isso, ou então um anjo da guarda que vem me avisar. Bom, seja como for, o importante é que até agora nunca falhou! Pois é, acho melhor terminar por aqui, antes que vocês durmam lendo a minha crônica. Bons sonhos a todos!