Dia dos Pais

Leandro Rodrigues

Aquele que puder, responda a seguinte pergunta: Qual o sentido do dia dos pais quando não se tem mais o seu pai? Sinceramente, eu (ainda) não consigo responder. A ausência dele é recente, tudo é novo, as referências não são mais as mesmas. Todo o sentido de uma série de coisas terá de ser revisto. Por uma coincidência de datas, o primeiro novo sentido a ser descoberto é justamente o do segundo domingo de agosto.

O dia dos pais nunca foi uma data muito celebrada em minha casa. Meu Pai nunca fez muita questão, ou, pelo menos nunca demonstrou fazer muita questão. Sempre foi um homem muito preocupado com o trabalho, com as despesas, as necessidades da família. Não tinha vaidades e seu maior contentamento era cada dia que podia levantar e viver. Seu presente era ter saúde para poder trabalhar e nos dar, dentro das suas possibilidades de pequeno comerciante, o melhor. Nunca queria mais do que chegar em casa e nos encontrar bem, saudáveis e felizes. Era sempre assim. Vivia sempre assim. Dentro e emanando sua simplicidade. Nunca pedia muito. Era feliz com o que tinha — lógico, desde que nada nos faltasse.

Não me lembro se alguma vez realmente se comemorou dia dos pais em minha casa. Sempre uma data normal, um domingo como qualquer outro do ano. Não que deixássemos passar em branco, mas também nunca era nada efusivo. Havia sempre abraços, cumprimentos, quando foi possível, algum presente. Não era ocasião para um almoço especial, embora fosse merecido. Meu pai, comerciante que era, trabalhava muito e não tinha dia, nem horário. Então, o domingo dos pais era sempre um domingo comum e em casa fazia-se tudo na mais absoluta normalidade.

“Talvez seja o contrário. Será a ocasião, bem como na data de seu aniversário, de celebrar a memória daquele que tanto fez por mim, que me ensinou grandes valores e que tanto me amou”.

O fato é que agora meu velho já não está mais e até que eu seja pai o segundo domingo de agosto será um dia sem tanto apelo. Ou será que não? Talvez seja o contrário. Será a ocasião, bem como na data de seu aniversário, de celebrar a memória daquele que tanto fez por mim, que me ensinou grandes valores e que tanto me amou. Ele não estará aqui para eu lhe dar um abraço, mas, poderei lhe homenagear em uma oração, ou, em algum escrito sobre alguma de suas peripécias. De repente, o dia dos pais passará a ter muito mais sentido do que jamais teve.

“Onde quer que o senhor esteja Pai, FELIZ DIA DOS PAIS!”

Hoje, 16 de agosto de 2016, é diferente. Algo está quebrado, está faltando. É uma circunstância inteiramente nova para a qual preciso buscar compreensão. É o primeiro dia dos pais sem meu pai aqui e não há como negar a estranheza que isso me causa. Nos próximos certamente já estarei mais acostumado com essa nova realidade e poderei pensar em meu pai nessa data da maneira que ele merece, com gratidão, carinho, amor e grandes histórias para recordar. No mais, onde quer que o senhor esteja Pai, FELIZ DIA DOS PAIS!