Eu e o vidente

Leandro Rodrigues

Eu já estava quase passando esta semana em branco quando resolvi passar um e-mail no finalzinho da tarde deste domingo. A história por trás dessa mensagem é um tanto ridícula, principalmente para mim que sou Jornalista e, em tese, não deveria me prestar a uma ingenuidade do tamanho da que cometi. “Mas afinal, do que é que esse maluco está falando?”- vocês estão se perguntando agora. Pois bem, eis a resposta:

Alguns dias atrás, estava eu espiando as manchetes esportivas de um portal na internet quando me deparei com um anúncio de um vidente oferecendo um previsão para o futuro grátis. Em 99,9% das vezes eu ignoraria coisas desse tipo. Entretanto, não sei por que cargas d’água, dessa vez eu resolvi ver no que dava. Foi um ato instintivo e puramente curioso da minha parte. Como era de graça e eu bem sei que não devo levar nada disso muito sério, pensei: “Uma vez só não custa nada!”.

Passaram-se três dias até que eu recebesse o primeiro contato do “Extraordinário Chris”. Assim se apresenta o vidente, um francês que, tomando por base suas informações, é conselheiro espiritual de várias celebridades e homens poderosos. Desde então tenho recebido mensagens frequentes dele e devo dizer que fiquei impressionado com muitas coisas que ele disse. Várias das características e dificuldades pessoais apontadas correspondem ás minhas. Claro que não me empolguei demais com isso. É fato notório que videntes astrólogos e afins são especialistas em dizer o que você quer ouvir, portanto, seria muito fácil cair numa esparrela quando se lida com profissionais como esses. Não quero com isso dizer que o Chris é um charlatão e que sua intenção é me aplicar um golpe. Eu não o conheço e por isso mesmo não posso afirmar nada a seu respeito.

Eu não precisaria escrever para ele se não quisesse. Nós não temos nenhum compromisso e eu poderia perfeitamente deixar pra lá. Porém, como ele tem me escrito regularmente e demostrando sempre muito interesse na minha pessoa, achei que o mais honesto seria contatá-lo e expor-lhe o que penso. Não creio que ele vá desistir, principalmente se a intenção dele for ganhar dinheiro. Todavia, acho mais honesto desobriga-lo de qualquer coisa em relação a mim, até para que eu não me sinta obrigado a nada em relação a ele e às previsões dele. É isso aí. Essa foi a minha pitoresca aventura esotérica. Riam à vontade, eu mereço!