Os “Focas” da Lagoa do Nado

Leandro Rodrigues

Uma manhã de sábado no parque. Que delícia! Há muitas coisas que se pode fazer: caminhar, respirar ar puro, namorar, passear com o cachorro, brincar com as crianças (quando for o caso), tirar fotos, ver animais silvestres, aprender a ser repórter… Hã? Aprender a ser repórter? Sim. Essa foi a minha aventura e de mais duas colegas minhas na manhã de sábado, 24 de outubro, no Parque Lagoa do Nado.

De sete ou oito alunos que haviam manifestado á professora Cândida o desejo de participar da atividade, apenas três compareceram: Ludimila, Luiza e eu. Nossa missão era tocar a rádio do evento. A Professora Cândida ficou como âncora e nós três como repórteres. Isto é, eu e Ludimila ficamos como repórteres. A Luiza ficou toda tímida e não quis pegar no microfone. Acabou sendo nossa assistente de reportagem. O que não diminuiu em nada a importância da sua presença. Pelo contrário. Foi um auxílio inestimável! Ah! Lu, nós não seríamos nada sem você!

“Quem sabe faz ao vivo!” — reza a cartilha do Faustão. Quem não sabe, aprende errando — reza a cartilha da vida real. Jornalismo é assim, principalmente no rádio, onde tudo é sempre ao vivo. Ou você mete as caras e paga os micos que tiver que pagar, ou então, é melhor fazer outra coisa. Bem, bem, filosofia de boteco à parte, deixe-me continuar a história:

Eu estava nervoso “pacas”. Aliás, nós três. Tanto eu como as meninas somos tímidos e até então, nunca tínhamos feito nada ao vivo. Uma interessante coincidência. Mais do que isso, eu penso que foi a combinação perfeita. Trabalhar ao lado de pessoas que entendem as suas dificuldades ajuda muito. E sinceramente, eu não poderia querer estar em melhor companhia naquele momento. Opa! Lá vou perdendo rumo da prosa de novo! Então, era difícil controlar o nervosismo e o medo de cometer gafes. Falar com as pessoas sempre foi uma tarefa mais desafiadora que a média pra mim. Fazer isso empunhando um microfone, com todas as responsabilidades que o ofício de repórter impõe e com um parque inteiro me ouvindo, era provavelmente o maior desafio da minha vida até ali. Eu gaguejei, eu dei branco, eu me esqueci de perguntar coisas importantes. Eu errei. Errei muito. Errei com gosto. Errei com prazer. Errei feliz. Chegou um determinado momento em que, tão alta estava a minha adrenalina, tão excitado eu estava com a brincadeira, que simplesmente parei de me preocupar com qualquer coisa. Era o máximo pegar o microfone e sair perguntando as coisas, falando com as pessoas, descobrindo o que havia nos estandes, ouvir minha voz nos alto-falantes. É uma sensação de poder difícil de explicar, mas impossível de não gostar.

Falando em gostar, a Ludimila parecia um pinto no lixo, como a gente diz no interior. Bastou ela sair atrás da primeira pauta para ver que ela leva jeito pra coisa. A cada participação ela ia demonstrando mais desenvoltura. A gente olhava e tinha logo certeza: nasceu pra isso! Como eu, ela também se atrapalhou em alguns momentos, mas nada que diminuísse o seu brilho. Olha, até que para marinheiros de primeira viagem, nós seguramos a onda muito bem. E isso, é claro, contando com a supervisão e as dicas da professora Cândida. Valeu a pena ter saído de casa naquela manhã de sábado. Desde que eu me decidi a ser jornalista, o rádio sempre foi um dos veículos que eu mais tive vontade de experimentar. Agora que eu tive essa chance e senti o quanto é bom, eu quero é mais. Aliás, nós queremos, não é mesmo Ludi? Cada vez mais!