Chatbots: você ainda vai trocar amigos por um desses!

O programa “Morning News” da TV chinesa introduziu na semana do natal um âncora virtual para ser o responsável pela apresentação diária do boletim do tempo (1). Longe, sem dúvida, do charme da nossa Maju, uma das apresentadoras do Jornal Nacional (JN). Mas não por muito tempo.

O paradoxo chinês
É um paradoxo pensar que a China, com seu 1 bilhão+ de habitantes e mão de obra abundante, ande sempre às voltas com tecnologias que implicam na eliminação de postos de trabalho. Será que isso é apenas um efeito colateral do rápido processo de desenvolvimento no qual o país se encontra e que não trará graves consequências sociais para o futuro?

O bot do tempo, por assim dizer, se baseia no Xiaoice (lê-se xaoaice), um software criado pela Microsoft, que o descreve como uma tecnologia de smart cloud com big data capaz de aprender e interpretar documentos de previsão e gerar reportes do tempo. Trata-se do mesmo chatbot incorporado ao app Line e utilizado por mais de 250 mil usuários.

Simulando emoções
Com um estilo único de comentar, a versão utilizada no Morning News inclui padrões emocionais ao se expressar, padrões esses bem próximos aos que se observam nos humanos. O sistema alcança 4,32 pontos (de 5) em testes de naturalidade linguística, onde nós obtemos em média 4,76 pontos.

O bot de Mountain View
Foi também na semana passada que soubemos através de uma matéria do Wall Street Journal que o Google está perto de apresentar o seu próprio chatbot com IA embarcada — uma espécie de Google Now avançado. Supostamente, o usuário irá digitar uma pergunta como mensagem de texto, para a qual um chatbot irá encontrar uma resposta, substituindo em certos casos as funções do Google Search (2).

Ambos os bots denotam a evolução do modo como nos comunicamos com sistemas inteligentes. Hora através de interfaces de voz [e.g. Now, Siri, Cortana, Alexa], hora por meio de apps de mensagens como Whatsapp, Line, Telegram, Messenger, Wechat, e mais recentemente os novos assistentes virtuais como o M [codinome Moneypenny], luka.ai, Operator e Slack (3) dentre outros.

A expectativa é que esses bots, em seu processo de evolução atuem tanto na complementação do trabalho humano [como no app M] quanto na sua substituição, a exemplo do âncora da TV chinesa.

No pets!
Penso que os animais domésticos também não passarão incólumes por tal processo evolutivo. Disruptivo se preferirem. Em algum momento, seremos confrontados com o dilema de continuar a se relacionar com bichos de estimação ou substitui-los por botsvirtuais. Mais ainda, teclar com chatbots pode se tornar tão natural e gratificante quanto interagir com amigos em apps de mensagens, o que já é uma atividade corriqueira para muita gente.

“Her” e o computador da Enterprise
Observem a relação entre os personagens Theodore e a chatbotSamantha, no filme “Her” (4), caso ainda não estejam convencidos de que esse é o caminho que estamos desbravando. Ou se preferirem, considerem as palavras de Amit Singhal (Google) numa entrevista em 2013: “O destino do nosso motor de buscas é se tornar o computador da Enterprise (do filme Star Trek) e é nisso que estamos trabalhando” (5).

Publicado originalmente no Google Plus em dez/2015. Leia outros artigos como esse na coleção “Assistentes Pessoais Virtuais

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(1) “Microsoft’s Deep Learning A.I. Used As A Weather Reporter In China For The First Time”
>> https://youtu.be/A3rKavB0krs

(2) Google desafia Facebook com novo assistente virtual” >>http://bit.ly/1Oj9wbu

(3) “Slack, o “e-mail killer” da vez, anuncia sua plataforma corporativa”
>> http://bit.ly/1IKgCp6

(4) “Computadores irão desenvolver “senso comum” em uma década” >> http://bit.ly/1PvxCAK

Her (trailer)
>> http://bit.ly/1PvxuRJ

(5) “Google has a single towering obsession: It wants to build the Star Trek computer”
>> http://slate.me/1IDsucF

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O programa “Morning News” da TV chinesa introduziu na semana do natal um âncora virtual para ser o responsável pela apresentação diária do boletim do tempo (1). Longe, sem dúvida, do charme da nossa Maju, uma das apresentadoras do Jornal Nacional (JN). Mas não por muito tempo.

O paradoxo chinês
É um paradoxo pensar que a China, com seu 1 bilhão+ de habitantes e mão de obra abundante, ande sempre às voltas com tecnologias que implicam na eliminação de postos de trabalho. Será que isso é apenas um efeito colateral do rápido processo de desenvolvimento no qual o país se encontra e que não trará graves consequências sociais para o futuro?

O bot do tempo, por assim dizer, se baseia no Xiaoice (lê-se xaoaice), um software criado pela Microsoft, que o descreve como uma tecnologia de smart cloud com big data capaz de aprender e interpretar documentos de previsão e gerar reportes do tempo. Trata-se do mesmo chatbot incorporado ao app Line e utilizado por mais de 250 mil usuários.

Simulando emoções
Com um estilo único de comentar, a versão utilizada no Morning News inclui padrões emocionais ao se expressar, padrões esses bem próximos aos que se observam nos humanos. O sistema alcança 4,32 pontos (de 5) em testes de naturalidade linguística, onde nós obtemos em média 4,76 pontos.

O bot de Mountain View
Foi também na semana passada que soubemos através de uma matéria do Wall Street Journal que o Google está perto de apresentar o seu próprio chatbot com IA embarcada — uma espécie de Google Now avançado. Supostamente, o usuário irá digitar uma pergunta como mensagem de texto, para a qual um chatbot irá encontrar uma resposta, substituindo em certos casos as funções do Google Search (2).

Ambos os bots denotam a evolução do modo como nos comunicamos com sistemas inteligentes. Hora através de interfaces de voz [e.g. Now, Siri, Cortana, Alexa], hora por meio de apps de mensagens como Whatsapp, Line, Telegram, Messenger, Wechat, e mais recentemente os novos assistentes virtuais como o M [codinome Moneypenny], luka.ai, Operator e Slack (3) dentre outros.

A expectativa é que esses bots, em seu processo de evolução atuem tanto na complementação do trabalho humano [como no app M] quanto na sua substituição, a exemplo do âncora da TV chinesa.

No pets!
Penso que os animais domésticos também não passarão incólumes por tal processo evolutivo. Disruptivo se preferirem. Em algum momento, seremos confrontados com o dilema de continuar a se relacionar com bichos de estimação ou substitui-los por botsvirtuais. Mais ainda, teclar com chatbots pode se tornar tão natural e gratificante quanto interagir com amigos em apps de mensagens, o que já é uma atividade corriqueira para muita gente.

“Her” e o computador da Enterprise
Observem a relação entre os personagens Theodore e a chatbotSamantha, no filme “Her” (4), caso ainda não estejam convencidos de que esse é o caminho que estamos desbravando. Ou se preferirem, considerem as palavras de Amit Singhal (Google) numa entrevista em 2013: “O destino do nosso motor de buscas é se tornar o computador da Enterprise (do filme Star Trek) e é nisso que estamos trabalhando” (5).

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(1) “Microsoft’s Deep Learning A.I. Used As A Weather Reporter In China For The First Time” (youtube)

(2) Google desafia Facebook com novo assistente virtual

(3) “Slack, o “e-mail killer” da vez, anuncia sua plataforma corporativa

(4) “Computadores irão desenvolver “senso comum” em uma década

Her — trailer (youtube)

(5) “Google has a single towering obsession: It wants to build the Star Trek computer