Capítulo 21 — Empreendedores são de Marte. Investidores são de Vênus.

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Todo investimento é uma função de um montante de dinheiro, de um relacionamento e de um contrato que regula as expectativas em relação aos dois primeiros. Mas por inúmeros fatores, a maioria das discussões e negociações se limitam às expectativas, direitos e deveres ao redor apenas do dinheiro.

Não existe uma única maneira certa de se construir o relacionamento para um investimento; mas os mais bem sucedidos levam em conta as particularidades das pessoas neles envolvidas.

Embora não existam estatísticas quanto aos investimentos que deram certo ou errado por causa do relacionamento que os governava, podemos traçar um paralelo com os casamentos. Desses, de cada 10, apenas 3 são relações felizes. Os demais acabam em divórcio, em relacionamentos amargos ou disfuncionais.

Todo relacionamento é como uma conta bancária, onde cada interação positiva é creditada e cada negativa é debitada.

Em geral, cada interação (um call, um email, um comentário no Slack, uma reunião, etc.) é repleta de contribuições de ambas as partes; e cada contribuição pode ter quatro tipos de resposta do parceiro: passiva destrutiva, ativa destrutiva, passiva construtiva e ativa construtiva.

A resposta passiva destrutiva acontece quando a contribuição do outro é simplesmente ignorada. Já a ativa destrutiva é quando a contribuição é criticada ou ridicularizada sem ser levada em consideração.

A resposta passiva construtiva acontece quando a contribuição é reconhecida e levada em consideração, mas de uma forma meia-boca, sem profundidade. Já a ativa construtiva, a contribuição é levada seriamente em conta no processo decisório, mesmo que não seja levada a cabo, ou mesmo acordada.

Nas estatísticas matrimoniais, casais que divorciaram tem um histórico de 77% das suas interações no modo passiva/ativa agressivas, enquanto casais felizes tem um histórico de 87% das contribuições no modo ativa/passiva construtiva, ou seja, em 9 de cada 10 interações as expectativas estavam sendo satisfeitas.

O ponto mais interessante é os estudos apontarem que a configuração do tipo de interações é similar antes e depois do casamento. Ou seja, o relacionamento não muda, apenas passamos a enxergar a verdade como ela é.

Podemos até nos casar por interesse, mas se fizermos a lição de casa, não dá para falar que não fomos avisados.

Qual o nosso saldo?