de volta à Lua com a SpaceX ?

Cápsula Dragon 2 projetada para transportar astronautas à Estação Espacial Internacional; será usada para a missão à Lua anunciada pela SpaceX.

Elon Musk anunciou ontem, dia 27 de fevereiro, que sua empresa SpaceX levará duas pessoas à órbita lunar até o final de 2018. A data é emblemática pois marca os 50 anos do voo da Apollo 8, a primeira missão tripulada da NASA a contornar a Lua, a cerca de 600 mil quilômetros de distância da Terra, em preparação para a alunissagem no satélite artificial que ocorreria em 1969 com a missão Apollo 11.

Meio século depois, o trajeto é o mesmo, porém o contexto da viagem será outro. Para começar, não há mais União Soviética no páreo. No lugar de um programa estatal para transportar astronautas, será uma empresa privada que levará "clientes" que já pagaram "um significante sinal", como divulgou a empresa, pelo pacote de uma semana para dar uma volta em torno da Lua.

Musk não revelou quem são os turistas espaciais, apenas disse não se tratar de "ninguém de Hollywood". Quanto ao preço, especula-se que seja superior aos 80 milhões de dólares por assento pagos atualmente pela NASA à agência russa Roscosmos para transportar seus astronautas à Estação Espacial Internacional (EEI).

Os turistas espaciais viajarão a bordo da cápsula Dragon 2, lançada pelo foguete Falcon Heavy, ambos desenvolvidos pela SpaceX. O voo será inteiramente automático, controlado da Terra. Em comunicado à imprensa, a empresa não deixou de agradecer à Nasa, de quem recebeu financiamento para construir a cápsula. A SpaceX possui um contrato com a agência espacial para fornecer meios de transporte para cargas e astronautas à EEI. Tanto o foguete quanto a cápsula ainda serão testados, o que deve acontecer no mais tardar em meados de 2018.

O anúncio da SpaceX foi recebido com surpresa, embora o plano de realizar missões à Lua esteja alinhado ao projeto maior de Musk de colonizar Marte a partir de 2024. A inciativa deve provocar a reacomodação e o reagendamento de projetos estatais e das “antigas e novas” empresas do setor espacial.

Apesar de ver com bons olhos a participação da iniciativa privada na exploração espacial, o governo Trump ainda não anunciou oficialmente sua política espacial e o que pretende para a Nasa. Durante a campanha presidencial, Trump confirmou sua disposição em apoiar missões tripuladas para além da órbita terrestre.

Semanas antes deste anúncio de Musk, a Nasa já havia manifestado que pensava em antecipar o voo tripulado de sua cápsula Órion, cuja previsão é circundar a Lua apenas em 2021. Agora cogita-se o ano de 2019 para o primeiro voo tripulado de teste da Órion e do foguete SLS, que a Nasa desenvolve há mais de uma década a um custo bilionário.

O sucesso da SpaceX, caso venha mesmo ultrapassar a Nasa neste retorno dos Estados Unidos à Lua, poderá influenciar para que a administração Trump corte recursos da agência espacial. Poderá até mesmo servir de argumento a favor da entrega à iniciativa privada não só a exploração orbital, mas também a do espaço profundo.