Atados é parceiro em evento para mulheres empreendedoras de favelas da Zona Norte

Texto da jornalista voluntária Débora Oliveira. Fotos do fotógrafo voluntário Fernando Tribino.

Alegria e aprendizado marcaram o evento de capacitação das mulheres empreendedoras da Asplande.

O Beleza das Favelas foi o primeiro evento idealizado e realizado pelo núcleo de beleza da ONG Asplande, Assessoria e Planejamento para o Desenvolvimento, que trabalha com mulheres empreendedoras moradoras de favelas e periferias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Lá, cabeleireiras e maquiadoras do morro do Borel, da Formiga e Salgueiro assistiram a palestras sobre consultoria financeira, tendências de cabelo e maquiagem e participaram de rodas de conversa, compartilhando suas experiências.

Carolina Cortez uma das voluntárias do Criadores de Atos que produziu o evento.

Toda a produção do Beleza das Favelas foi feita por voluntários do projeto Criadores de Atos do Atados. O projeto tem como objetivo levantar as demandas das ongs parceiras, repassar para grupos de voluntários, que as tiram do papel. A voluntária Carolina Cortez, que é coaching de imagem e pretende continuar apoiando a Asplande com seus conhecimentos, conta que encontrou muita gente engajada durante o processo de realização do evento. “Quando fui conhecer as responsáveis pela ONG, elas me passaram suas ideias. Sonhavam com um dia para inspirar as mulheres empreendedoras. Eu também dei algumas sugestões e corremos atrás de palestrantes para participarem. Queríamos dar tendências de cabelo, maquiagem e unha e sempre tentando trazer uma mulher, para mostrar que é possível chegar ‘lá’. Procurei essas profissionais através da internet e todo mundo que contatamos gostou muito do projeto e se dispôs a ajudar”, contou entusiasmada.

Para mulheres periféricas, não é fácil começar e manter o próprio negócio, principalmente com poucos recursos e informações. Muitas dúvidas e dificuldades podem surgir durante o processo. Por isso, a importância de eventos como o Beleza das Favelas, que além de conhecimentos técnicos, esclareceu dúvidas básicas: “fizemos questão de trazer palestras sobre higienização de materiais, que é algo normalmente esquecido pelas mulheres que trabalham com cabelo e maquiagem e coaching financeiro, que elas também não prestam muita atenção, não sabem bem como lidar”, conta Carolina.

Capacitação para as mulheres em rede.

As empreendedoras se mostraram muito participativas durante o evento, algumas relataram a dificuldade de estabelecer os preços para a prestação de seus serviços na palestra sobre finanças. Com isso, uma dica extremamente importante foi dada pela consultora financeira Aline Rodrigues. “Vocês precisam aprender a se valorizar. Antes de cobrar do cliente avaliem o trabalho, o seu conhecimento e o cuidado com que vocês realizam o trabalho. Tudo isso deve ser incluído no preço final”, explicou. Muitas contaram que antes se sentiam constrangidas em dar preço ao seu trabalho, mas que depois do que aprenderam, iriam mudar.

Dayse Valença, secretária executiva da Asplande.

O ciclo de palestra terminou com histórias de vida de mulheres negras, empreendedoras, quem contaram suas trajetórias até se estabilizarem financeiramente. A idealizadora do Beleza das Favelas e secretária executiva da Asplande, Dayse Valença, não escondeu a alegria com o êxito do evento: “o encontro que a gente tem com pessoas do bem alenta a alma e apesar de todas as dificuldades a gente segue tendo forças para lutar”, finalizou.

Sobre a Asplande

A Assessoria e Planejamento para o Desenvolvimento tem sede na Rua Ávaro Alvim, 48, sala 806, no Centro e foi fundada em 1992. “Trabalhamos em três eixos: formação, através de cursos oficinas e rodas de conversa; acompanhamento, já que não adianta ter uma formação bacana se não houver uma assessoria posterior e o terceiro, que é estar em rede, onde as mulheres empreendedoras possam se encontrar e aperfeiçoar seus recursos”, explica Dayse Valença, secretária executiva do Projeto.

Na Asplande são cerca de mil empreendedoras cadastradas, que eventualmente participam das palestras e eventos realizados. “Muitas mulheres já passaram pela ONG, mas o processo de aprendizado é permanente, a gente continua mantendo contato. Geralmente voltam para tirar alguma dúvida, já que as redes são espaço aberto de encontro que elas buscam quando sentem a necessidade”, conta.

As redes locais compreendem a grande Tijuca, que funciona no Borel e une também, mulheres Salgueiro e Formiga; Baixada, com reuniões em Caxias e Queimados e na Zona Sul, morro do Tabajaras, Cabritos e Pavão Pavãozinho. Na Zona Oeste funciona o Raízes do Rio, projeto da Asplande voltado para mulheres artesãs.

Acesse o site e conheça mais: http://www.asplande.org.br