
“Lá no Norte isso é normal, deixar de estudar para trabalhar”, diz Aliane, que aprendeu a ler na Oca
Texto da voluntária Nathalia Silva e fotos da voluntária Isabel Praxedes

As atividades de dança, capoeira, música e brincadeiras realizadas pelos professores Vera, Paulo, Lucilene e Fofão, contam também com a ajuda de voluntários e monitores. O clima de união entre eles é muito forte, a paixão pelas crianças e adolescentes reflete no trabalho. Quando um professor não está em seu dia de aula, sempre acaba dando um pulinho por lá para auxiliar quando necessário. Eles fazem da Oca sua própria casa.
Aliane Silva hoje faz parte da equipe de Apoio da Oca — Escola Cultural, mas é considerada a mãezona por todos. Ela veio do Nordeste para São Paulo, não chegou a concluir os estudos, pois desde cedo teve que trabalhar para ajudar a família, “Lá no Norte isso é normal, deixar de estudar para trabalhar”, conta ela.

Assim que chegou a São Paulo e conheceu a Oca, ela começou a frequentar como aluna para aprender a ler e escrever. Logo depois de conhecer o trabalho da Organização, seus filhos e marido também começaram a participar. Ela espalhou o trabalho da Oca pela comunidade e foi uma grande divulgadora.
Depois de atuar como aluna, ela iniciou seus trabalhos como voluntária, e então passou a ajudar no departamento de limpeza. A história dela na Oca foi acontecendo aos poucos, de degrau em degrau até ser contratada. Atualmente ela integra a Equipe de Apoio e está presente todos os dias. Quando não está trabalhando, por ser a funcionária que mora mais perto da Oca, é chamada pelos seguranças, que só atravessam a rua para chegar até sua casa.

“Não existe coisa pior para uma pessoa do que não saber escrever seu próprio nome”, diz emocionada. Ela afirma que o trabalho da Oca não somente a ajudou pessoalmente, mas mudou a vida de seus filhos e família, que sempre estão em contato com as diversas atividades oferecidas pela organização. O trabalho dela foi tão inspirador que, atualmente, dois de seus filhos trabalham como voluntários de capoeira nas aulas. “Quero que meus netos frequentem aqui”, diz.

