Refugiados se formam em curso de português no RJ

Texto da escritora Helena Barros e fotos da Tatiana Azzi, voluntárias do projeto comunicadores do Atados Rio.

Foto: Tatiana Azzi.

O que você faria se não pudesse realizar as atividades mais básicas do cotidiano, como ir ao mercado ou pedir uma informação? Essa é a realidade de muitos refugiados que, hoje, vivem no Brasil e totalizam quase 10 mil. Diante dessa triste perspectiva, nasceu a ideia de poder oferecer um curso de português para alguns refugiados que moram no Rio de Janeiro através de uma parceria entre o Atados, Abraço Cultural e Brasas.

A ideia inicial era oferecer o curso para alguns refugiados que moravam na Igreja São Batista na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, mas com o crescimento do número de interessados, o projeto conta com mais uma nova classe neste mês. As aulas de português são ministradas pelo professor Denis do curso de inglês Brasas. De forma bem-humorada, o objetivo é oferecer um espaço que respeite e acolha as diferenças destas pessoas. Os refugiados possuem dificuldades para se integrar em um novo país e enfrentam inúmeras barreiras para exercer a própria liberdade, sendo o idioma apenas uma delas.

Da esquerda para a direita Andrey, o professor Denis, Luis e Javier. Foto da fotógrafa Tatiana Azzi.

A primeira turma contou com estrangeiros de diversos locais como Irina e Andrey da Ucrânia e Luis e Javier da Colômbia. As aulas tinham duração de 2 horas por dia, de segunda à sexta, tendo início em dezembro e término em maio deste ano. A classe de junho contará com aulas 3 vezes na semana à noite para melhor atender a rotina dos refugiados.

Helena conversando com Andrey e Luis. Foto da fotógrafa Tatiana Azzi.

“Acho que a maior dificuldade está, exatamente, na realização das pequenas atividades do dia a dia. No início, as pessoas tinham mais paciência com o fato de eu não falar português, mas hoje limita muito.” diz Luis, que saiu da Colômbia há um ano e meio devido à situação de violência e problemas políticos no país. A falta de oportunidades e o desejo de proteger a própria vida fez com que se mudasse para o Brasil e se separasse da esposa e do filho, que se mudaram para o Chile. Apesar de ser formado em Ciências Sociais e de ter experiência lecionando, atualmente possui dificuldades para conseguir emprego fixo principalmente na área de educação. Ele e Javier moraram na Igreja em 2016 e, com a oportunidade de aprender português, animam-se com a perspectiva de trazerem suas família.

Mesmo com a distância de milhares de quilômetros, a história não foi muito diferente com Andrey e Irina. O casal buscava oferecer uma maior segurança aos três filhos e viram no Brasil uma oportunidade para se estabelecer. Além do clima, do acolhimento das pessoas e as paisagens cariocas, um fator decisivo foi a liberdade religiosa. Apesar de apenas o marido ter concluído o curso, é incontestável o desenvolvimento de ambos com a língua portuguesa e o otimismo quanto às novas possibilidades.

A formatura dessa turma ocorreu no dia 1 de junho contando com toda a equipe do Brasas e também do Abraço Cultural no Gringo Cafe, em Ipanema. É incrível a evolução deles e de como o desenvolvimento do idioma refletiu na confiança e na integração no Brasil: a quebra da barreira linguística possibilitou coragem para enfrentar os novos desafios.

Foto da fotógrafa Tatiana Azzi.