Meu nome

Escrever requer letras? Símbolos? Movimento? Como “escrevem” crianças de diferentes idades?

MINI-HISTÓRIA

Protagonistas: A. C. B., 3 anos e 2 meses; L. R. M., 4 anos. Atelierista: Raissa Cintra. Texto e foto: Raissa Cintra: Edição: Natalie Catuogno Consani.

A. e L. estão juntos numa das sessões do Ateliê de Papel, que aconteceu durante a primeira semana do Ateliê de Férias. L. desenha sobre uma das mesas, enquanto A., em outra, enfileira algumas bolinhas coloridas de agar-agar, feitas especialmente para essa sessão.

Ao terminar sua produção, L. chama a atelierista:

“Raissa, quero escrever meu nome!”, diz L.

L. costuma desenhar com frequência e, geralmente, assina seus desenhos para guardar em sua pasta. Uma das hipóteses é que, nesse momento, tendo terminado o trabalho, pretendia fazer o mesmo.

A. compreende o pedido de ajuda subentendido na frase de L. e se oferece, antecipando-se à atelierista:

“Eu te ajudo!”, sugere A.

Ela então pega um giz, vai até a mesa de L. e, com o giz no papel, faz movimentos com as mãos, simulando aqueles feitos na escrita cursiva.

“Assim, ó, L”.

A. tenta mostrar ao colega o que está fazendo, enquanto “escreve” no papel e fala, pausadamete, as sílabas do nome dele.

Quando A. termina, L. vai conferir o que ela escreveu.

“Não está escrito L.!”, avalia ele.

Como já conhece algumas letras, especialmente as do seu nome, ao ver a escrita de A., L. percebe que o que ela escreveu não representa seu nome.

Mas A. não concorda:

“Tá sim [escrito L.]”, diz ela.

Como A. reproduziu os movimentos que vê ao observar quem escreve, parece convicta de ter escrito o nome de L.

“Não é assim meu nome. Vou riscar aqui por cima”.

A educadora diz a L. que essa é a maneira com que A. consegue “escrever” e que, para ela, aqueles traços significam o nome dele.

L. então parece compreender e validar a ajuda de A., apesar de ter uma hipótese diferente para a escrita do seu nome.