Quem fala para todo mundo não fala com ninguém


A comunicação, ao olhar para as pessoas de forma generalista, raramente é efetiva. É preciso analisar com atenção as diversas motivações que existem em um grupo de pessoas, de forma que seja possível dividir uma grande “massa” em grupos por afinidades e motivações para que seja possível “falar a língua” do grupo. Um trabalho de comunicação que entenda bem as motivações das pessoas as envolverá, facilitando para que sejam atores da mudança.

Os grupos focais de uma ação de comunicação devem estar alinhado com os objetivos traçados, sendo parte intrínseca do plano estratégico. Se você fez um bom trabalho na hora de definir seus objetivos, então terá mais facilidade na hora de elaborar a mensagem e seus formatos para cada um dos públicos. As diversas mídias existentes atingem públicos distintos de maneiras diferentes. Mais do que traçar o perfil demográfico, é preciso entender as pessoas e seu comportamento.

Para construir uma comunicação efetiva é preciso entender mais de pessoas do que de ferramentas.
Ao definir com clareza os grupos de afinidade, todo seu esforço se torna menor. A partir do conhecimento das práticas desses grupos você será capaz de dialogar e construir mensagens que tem impacto direto na realidade dessas pessoas.

As organizações e coletivos tendem a enxergar seu público de forma ampla e genérica com o argumento de que “precisam atingir o maior número de pessoas possível com o menor custo”. Porém, é preciso entender que quanto mais segmentada for a comunicação, mais eficiente ela será. É um equívoco acreditar vamos conseguir atingir “a sociedade” de forma geral. É mais efetivo definir grupos de afinidade e trabalhar as comunicações de forma segmentada, potencializando os esforços de comunicação.

Ao criar agrupamentos por afinidade, entendendo as dimensões subjetivas da comunicação, temos um poder de diálogo potencializado. Dessa forma é possível encontrar pontos de convergência que unem a sua causa à visão de mundo que os integrantes desses grupos têm. Algumas pessoas são mais emotivas, outras mais espiritualizadas, outras mais técnicas e assim por diante. Essas dimensões subjetivas da comunicação devem ser exploradas para criarem pontes que facilitem o diálogo entre as partes.

A comunicação é multidimensional
As estratégias de comunicação devem atuar em todas as dimensões do entendimento e das tomadas de decisão do ser humano política, emocional, econômica, espiritual, psicológica, técnica, científica e talvez mais.

Originalmente escrito para o Caderno de Comunicação para o Ativismo, publicação da Escola de Ativismo.