Areia movediça, piche e alguns buracos
Caminho vagarosamente, numa estrada incerta,
obstáculos variados dificultam o caminho;
sempre se perguntando se fez a escolha certa,
se o caminho tem fim, se no fim há luz;
O tilintar das correntes nos pés dos fantasmas,
fantasmas do meu passado que me perseguem,
lembrando-me de meus erros, corrigindo meu caminho,
sempre estive, e agora, mais do que nunca, sozinho;
Nevoa opaca, cada vez mais grossa,
torna invisível a estrada que cobre,
há uma voz que escuto, não sei se é vossa
ou se são ecos de meus murmúrios;
Areia movediça, piche e alguns buracos
a fome, o medo, a insegurança e ansiedade
cinzas entre os dedos, o cheiro de tabaco
nesse frio, cada baforada, parece um trago
Uma dor de cabeça de lacrimejar os olhos
joelhos cansados de uma caminhada sem fim
o couro cabeludo coça, infestado de piolhos
meu corpo também pede arrego, enfim.