A CRIATIVIDADE DA LEITURA

Anne Twain
Sep 7, 2018 · 3 min read
By Ane Vasconcel, set. 2018.

O mundo se torna cada vez mais visual, são vídeos e imagens de todos os estilos, carregados de efeitos que encantam os olhos, é um tipo de “Admirável Mundo Novo”. A lista de “criações” do que se produz e compartilha é quase infinita, mas, ao tirar-se o glamour e captar o conteúdo limpo, quase não se associam: Qualidade + Conteúdo.

Ao ter-se um olhar mais crítico para esses conteúdos, ter-se- á um resultado não muito agradável, pois o conteúdo — seguindo uma das definições do Aulete “ Carga semântica de um signo linguístico; SIGNIFICADO” — em sua relevância, caminha para a escassez.

É considerável a abrangência de pessoas que não saem da zona escolar (obrigação), são muitas vezes consideradas “profissionais”, porém, profissionais preenchidos com técnicas e de ralo conteúdo. Para esse momento do mundo pode ser até o perfil mais desejável, o do técnico reprodutor e produtor em massa, é uma retomada da linha de produção com mais enfeite nos processos.

Diversos graduandos, e até pós-graduados, saem das universidades tendo em suas bibliotecas pessoais apenas livros da área de formação, ainda assim são muito poucos, pois a grande maioria só lê o que é taxado como leitura obrigatória, este é um dos fatores para a formatação de mentes limitadas, as quais permanecem no círculo da técnica e de vaga criatividade, pois, esquece-se que a leitura é, antes de tudo, mãe da criatividade.

A sociedade está em constante rotatividade, de surpresa, chegará o momento da retomada da necessidade do mais que a técnica, pois o mundo é governado por mentes pensantes que ultrapassam a linha da técnica, que soma técnica e conteúdo, muito além do ponto da superficialidade.

ENCADEAMENTOS DA CRIATIVIDADE DA LEITURA

A leitura — assim como a música, as obras de arte, a fotografia, o cinema etc. — é uma fonte para criações, é o processo de procura por referências.

Ao lermos um livro, por exemplo, quando não ilustrado, temos que imaginar os personagens com base nas pistas deixadas pelo escritor, a voz do narrador nos revela, na maioria das vezes, as características essenciais dos personagens, desse modo, criamos uma imagem para cada um desses personagens, e a cada página — de aventura, ficção, terror, mistério, romance, drama ou comédia –, os personagens que “criamos” se tornam mais vivos, pois os detalhes vão reafirmando as imagens.

Há sempre um personagem que nos encanta, que nos faz amá-lo mesmo ele existindo apenas nas páginas e em nossa mente criativa, até o momento da ocorrência de uma adaptação, por exemplo, cinematográfica, de uma e/ou de algumas histórias que apreciamos, é quando a história e os personagens ganham uma segunda vida — ou terceira, considerando a origem e a que elaboramos — a qual pode nos decepcionar ou nos fazer apaixonar mais ainda.

É uma questão que dependerá da interpretação do roteirista e do diretor, da releitura que foi feita da obra e a percepção obtida dos personagens retirados de páginas escritas.

As mentes são uma bolha de diversidade, muitas vezes, uma visão sobre algo coincide com outras visões, mas, também, pode ser bastante contraditória — não é à toa que se diz “Nem Jesus agradou a todos” –, então, de repente, um personagem que tanto apreciamos pode ser destruído em uma releitura, assim como, opostamente, poderá acender-se ainda mais, há sempre uma possibilidade, é um risco de indecifrável resultado.

Com isso, creio que seja possível relacionar a leitura com a criatividade, ou seja, a criatividade da leitura. Sempre que lemos algo não visto, em forma de imagem concreta, imaginamos esse algo com base nos detalhes/informações e baseado em nossa bagagem e percepção, assim, utilizamos, de certo modo, a criatividade para gerar um tipo de vida.

ENCADEAMENTOS DA CRIATIVIDADE DA LEITURA

Fórmula

Leitura >> Interpretação >> Associação com bagagens >> Criação = Concretização da Criação.

Contudo, quando reproduzimos o que criamos mentalmente, pode-se dizer que concretizamos a criatividade da leitura pelos encadeamentos, é um processo que, embora, pareça fácil e vago, envolve um trabalho mental fora da zona reprodutiva.

O ler é um impulsionar do criativo.

Anne Twain. Setembro, 2018.

annetwain

Artigos de temáticas diversas, literatura e roteiro.

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