Devemos comemorar a queda de Cunha?

Sim, é claro que devemos. Mas é preciso fazer uma análise mais aprofundada do que apenas acreditar que Eduardo Cunha teve seu mandato cassado por ser corrupto, ou por ter brincado com o futuro do país para beneficiar a si e seus aliados. Cunha caiu porque deixou de servir para o propósito do PMDB, que como sabemos é deter o controle da política brasileira e governar para as classes mais altas.

Em 13 de outubro de 2015, quase um ano atrás, o PSOL e a Rede entraram com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra Cunha. Por onze meses ele enrolou o nosso sistema político, usando os mais diversos artifícios que estavam a seu alcance. Cunha riu da nossa cara por mais de trezentos dias.

Vamos comemorar, mas sem esquecer os retrocessos aprovados pelo então presidente da Câmara. Sem esquecer que há um projeto de lei em andamento visando a redução da maior idade penal. Sem esquecer que agora família é um “núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”.

Por fim, e não menos importante, devemos lembrar que a maior das maracutaias de Eduardo Cunha resultou no afastamento da presidenta Dilma Rouseff. Por meses ele e o PT barganharam, se Cunha abrisse um pedido de afastamento o PT buscaria sua cassação. Hoje amanhecemos com os dois sendo tão civis quanto nós.

Ao fim deste triste capítulo na Câmara dos Deputados não sei se temos muito o que comemorar. Caiu o homem, permanecem seus projetos. Permance Rodrigo Maia como presidente da Câmara, deputado do Democratas eleito num acordão endossado pelo PT. A máquina que construiu Cunha também foi responsável pela sua destruição e agora é mais potente do que nunca. Fortes não são os 450 que por conveniência do momento pediram o fim de seu mandato, e sim aqueles que há mais de um ano dizem: Fora, Cunha.

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