Os fenômenos geológicos

Houve um tempo em que eu não sabia o que era geologia. Para ser sincera, até hoje não entendo, sei que era um curso relativamente de baixa concorrência no vestibular e que depois pode(ia) ser empregado da Petrobrás.

Essa visão é bem limitada, sei disso, mas muitas das coisas não me interessam porque eu tenho uma forma próprias de compreender os fenômenos. Para variar, envolve mais imaginação do que lógica.

Não pretendo com isso desqualificar de nenhuma forma o trabalho dos geólogos,vejam bem. Mas eu estou mais para o Bidu que conversa com pedras do que para o maluco que calcula a idade dela (observem que eu acho OK um cachorro falar com a Dona Pedra e acho loucura uma pessoa que faz um trabalho científico e exploratório, talvez porque eu ache deselegante bisbilhotar a idade alheia ou seja mesmo um caso de internação).

Faço essa introdução como mea culpa para contar o episódio de hoje, o dia em que fiz minha grande contribuição para o pensamento lógico dedutivo e ajudei a explicar um fenômeno natural que causa muito transtorno para o ser humano.

Aos 5 anos, eu descobri como surgiam os terremotos.

Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza e graças a esses fatores nunca tive a chance de viver um terremoto. Entretanto, a televisão, esse recurso tecnológico tão preterido por essa geração que já cresce no Netflix e Youtube, foi uma grande companheira nesses anos pueris da minha existência.

Aquela caixa mágica que me acompanhava nas horas tediosas de filha única trouxe mais do que os transtornos mentais que carrego até hoje, me ensinou sobre a vida e o mundo, sobre a audição dos gafanhotos e sobre a morte de famosos. A TV me falou de um mundo maior que o meu, eu descobri que existiam terremotos.

Não sei se é um registro de infância meio confuso (todos são), mas para mim anos 90 + Japão é igual a terremoto. Via as notícias daqueles tremores de terra, dos prédios rachados, dos abrigos para essas situações e me sensibilizava bastante.

Sempre fui bem sensível, mas também era bem louca.

Como disse, a TV era uma companheira fiel e eu não sabia bem os limites entre o que era real ou imaginário. Ainda assim, as minhas capacidades dedutivas nunca me decepcionaram e foi assim que eu descobri a causa dos terremotos no Japão e do porque o Brasil estar ileso.

Os Power Rangers eram do Japão (eram? porque é todo mundo americano?). Depois que soube disso minha vida mudou, cheguei a essa conclusão e descobri que até que havia vantagens de não termos super-heróis reunidos em Megazord pelas cidades.

O Ministério da Popularidade e do Bom-Convívio Social adverte: Pais, não deixem seus filhos muito expostos a TV, os efeitos podem ser irreversíveis.