A “tênue” diferença entre a prepotência e o amar-se

Eu não sou exatamente a garota das polêmicas, evito entrar em discussão até porque, se baseados em argumentos, todo mundo tem uma ponta de razão em diversas questões que divergem nesse mundão de meu Deus… (tirando obviamente as apologias ao preconceito, racismo, homofobia, machismo e toda e qualquer expressividade que aliene o direito do outro existir e estar inserido em sociedade).
Mas eis que chega o Big Brother, e a polêmica atual é da sister Emilly e seu suposto amor-próprio que incomoda muita gente. Sinceramente, fiquei bem surpresa quando a mesma não saiu, e mais surpresa ainda com pessoas a defendê-la. Acredito que esteja ocorrendo uma inversão de valores grave no que diz respeito a estar e ser plena e satisfeita consigo e outra bem diferente é achar-se superior a todos e acreditar que o mundo gira em torno de si.
É certo que esta discussão é muito mais do que uma garota de 20 anos no BBB, mas (e o ponto positivo do reality) enxergar todas aquelas pessoas como exemplos da nossa própria sociedade (e acredito que esta foi uma das edições mais democráticas, embora não tenha assistido todas).
Eu realmente não entendo que a Emilly seja um exemplo a ser consagrada, para mim ela não está mostrando, em hipótese alguma empoderamento ou o quanto é importante ter a autoestima elevada, o que deixou a mim e muitas pessoas incomodadas com o seu “jeitinho” não foi ela ser uma bela garota e saber disso (quanto a isso palmas para ela), mas foi o fato da mesma se achar no direito de tripudiar e colocar-se num pedestal acima dos demais participantes, até mesmo da sua suposta melhor amiga Roberta, Emilly não mediu palavras para dizer coisas que ofenderam em demasia a outra.
É interessante analisar o BBB por um lado meio “antropológico-psicanalítico” e é engraçado perceber como os participantes ainda não sacaram que não se trata de saber jogar e sim do que se é enquanto ser humano. As antipatias e defesas advêm do público, logo, é mostrando seu caráter que a sua popularidade vai se destacar ou não. Certamente as opiniões aqui fora divergem, e foi por conta disso que achei que poderia escrever, porque senti certo incômodo em ver ideias feministas sendo deturpadas em defesa de uma pessoa que provavelmente acha desnecessário o movimento.
Não se trata de ser segura e falar sobre isso, mas de usar dessa “segurança” para a opressão dos que lhe parecem menos. Meu desassossego e o que me impulsionou escrever hoje sobre um tema que nunca publiquei antes foi porque me senti representada, mas não pela guria “empoderada”, que a meu ver é tão e somente egocêntrica, mas pelas pessoas que ela já ofendeu direta ou indiretamente.
A Emilly é supostamente só um arquétipo, o do tipo que eu não quero mais ver vencendo perante os demais na sociedade, esses representados por aquela garota popular do colégio que pratica bullying, aquela senhora que trata diferentemente o dono e a atendente de loja, e diversos outros exemplos de opressão do qual vivemos ou vivenciamos todos os dias.
Eu não poderia me calar, pois não se trata de ego, mas de preconceito.
Gostou do texto? O❤ irá me deixar muitíssimo grata e ciente que estou atingindo positivamente com meus posts =)


