cotidiano

por dentro um oco. uma solidão tão bem acompanhada do vazio que já não podem andar dispares.

pequenas coisas, grandes também. observa sem apego, apenas segue com essa ávida fome em ler o mundo, desejando extrair poesia onde pousa o olhar, afim de distrair a mente no cotidiano alheio. quer saciar-se de outras vidas, na ilusão de preencher a sua. então uma mosca limpando as patas, ou um grupo praticante de FalunGong frente à caótica Avenida Paulista parecem, ou melhor, são mais plenos em seus instantes que toda a sua existência somada.

isso faz com que se ausente de si, embora saiba que nada além lhe arrancará o gosto insalubre da dor que já não pode senão macerar. por hábito ou medo.


sua falha será irrevogável e a culpa por não ter podido fazer melhor, lhe perseguirá vida afora. lembrança persistente de um erro que não fora somente seu, mas sabendo que somente ela tinha a consciência, não poderia exigir daquela, que nunca fizera esforço para enxergar além dos seus medos e desejos, a importância do que somente uma delas viveu.

vagueia por espaços vãos, sem apreço, na ilusão de fugir de seus pensamentos, ainda que saiba que eles a perseguem, aonde quer que ponha os pés.