Sobre risos e vinhos

mascaro o gosto insalubre da verdade e me sacio em uma farta piscina de ilusões. capaz serei de bebe-la toda e ainda assim não me ver completa. preciso de sua presença, teu cheiro de indescritível cor, e das tuas pestanas que me lançam um feitiço pra te amar a cada piscadela. não me faça submergir ao poço lamacento da solidão, já que sentes tanto quanto eu essa saudade. quero mais é acordar com teu bom dia, mesmo ele sendo às seis da manhã e aceito você dormindo no meio da conversa, ainda que não seja nem dez da noite. quero mais é te ver ao meu lado dormindo seu sono tranquilo, despertando preguiçosamente e rindo comigo que ainda são oito. me deixa te insistir pra tomar café, mesmo sabendo que nunca te convencerei de ideia alguma. me diz que esse buraco não está só aqui e que ele se alastra até ti, que ele vem nos ocupando espaço e impedindo de seguir outra jornada que não a nossa. enlaçadas. me perdoa por ousar achar que tudo daria certo, se voltássemos a esbarrar juntas nas coisas todas a nossa volta. desculpa acreditar que ainda nos afogaremos muito no chuveiro, de imaginar sua comida queimando na panela, dos nossos risos e vinhos. eu quero mais do mesmo, mais do teu beijo, gosto e pele. eu quero todas as nossas conversas intermináveis, e mais do espanto ao nos deparamos com mais um mutualismo qualquer. e também quero o impacto de saber que nem tudo será igual e que é isso que nos fará ainda mais plenas.

eu quero é mais pensar que eu finalmente aprendi sobre a felicidade, e que você, ainda que não seja peça imprescindível, faz toda a diferença quando está.