tão breve

Descrição acessível: uma flor dente-de-leão perdendo algumas “plumas”, sob um segundo plano desfocado, que é um campo esverdeado, existe ainda um foco de luz de sol iluminando as plumas que estão voando.

Toda e qualquer desculpa para te por na história mais uma vez.

Não há escusas para inventar.

Eu sei que recrio o mundo que leio para te ter por perto. Invento que você esteve nos lugares por onde piso agora e revivo imagens de cenas que nunca houveram.

Te trago para o presente, quando você fez tão pouca presença naquele pretérito imperfeito.

Na minha história inventada, você sente tanto quanto eu essa ausência e na expectativa de todas as noites, me espera.

Terei eu coragem de encarar a verdade, e ressurgir diante de seus olhos incrédulos para te dizer que ainda é tempo e sempre será?

Ou nunca permitirei a prova que condenaria todos os devaneios?

Preferirei me deixar na realidade fria de seu pouco caso com o que vivemos?

Muito mais em minha mente do que em nossos dias que discorreram.

Tão breves.

É tempo, eu sei, mas fujo do inevitável. Sempre péssima em encarar os fatos, sejam eles tão práticos como encarar a conta bancária negativa, seja aceitar que acabamos antes mesmo de nos aceitarmos por inteira.

O que indago calada é o teu papel na minha vida e o meu na tua. Não posso com o simples acaso do efêmero. Não ei de aceitá-lo, quero perpetuar o que talvez tenha existido só em mim. Ou porque de tudo o que vivemos, fui eu quem se entregou deliberadamente.

Mas sei que você também sentiu. Que me procurou para curar algo que não sabia admitir. Você me pôs num pedestal achando que eu poderia salvar-te de ti. Recuou quando percebeu que a transformação poderia ser uma ameaça sobre aquilo que acreditava ser intrínseco a sua essência.

Eu, passional incorrigível, afundei mais e mais a ponto de agora não saber emergir do poço que cavei além do que já existia. Continuo frouxa e à mercê de toda a comiseração que é possível sentir de si mesma.