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A nova era do celeiro verde

Sejam muito bem-vindos a este novo canal da Barn. Como sócio- fundador, tenho o enorme prazer e orgulho de inaugurar essa nossa nova via de comunicação.

Estamos iniciando um novo ciclo na Barn, cheio de novidades e muito otimistas com o que vem por aí. Mas antes de falarmos disso, gostaria de dividir com vocês um pouco da nossa história e jornada dos últimos oito anos.

Vamos começar pelo começo

Era 2012 e eu tinha 34 anos. Minha filha mais nova acabava de completar dois anos, a mais velha, quatro.

Tinha vivido intensamente a experiência de empreender e ser empreendedor, entre 2004 e 2005, e foi algo marcante para a minha formação. Fundei a Permute (www.permute.com.br) quando ainda era bem novo e pude sentir a adrenalina do empreender. Foi uma experiência única! Montar uma empresa com 24/25 anos de idade, com pouquíssimos recursos e pouca tecnologia disponível para empreender me ensinou muito.

Antes da Permute, trabalhei em um fundo de Private Equity bastante ativo no Brasil, nos primórdios da indústria. E quando vendi a minha empresa, voltei a trabalhar com Private Equity no mesmo fundo em que estava antes de empreender. Como disse, a experiência da Permute foi marcante e lá no fundo eu sabia que voltaria a empreender, mas não sabia quando nem como.

Após quase dez anos na indústria de Private Equity e Growth Equity, aprendi demais e pude acumular muita experiência, mas sentia que era a hora de pensar no que queria e aspirava para os próximos 30 anos. Havia vivido intensamente os anos de experiência como investidor de capital de risco. Foi uma grande escola.

Era óbvio o valor que aquela atividade gerava ao país e o quanto era importante para impulsionar empresas para que pudessem ter a chance de serem grandes e relevantes nos seus mercados de atuação.

Importante lembrar que, no começo dos anos 2000, a atividade de capital de risco era pouquíssimo glamourosa. Estamos falando de épocas de taxas de juros acima de 25% ao ano, com altíssima instabilidade econômica e política (nothing new here! ).

Por outro lado, era um momento de formação e de rápido crescimento desta indústria no Brasil.

A atividade me encantava. Gostava da parte financeira, legal e negocial. Mas me encantava ainda mais poder acompanhar a evolução, os aprendizados e as dificuldades enfrentadas pelas empresas investidas.

A troca constante com os times das investidas era algo muito rico, o ritmo de aprendizado era alucinante. Era o mundo da economia real, misturado com o mundo financeiro.

Com o tempo fui ganhando mais experiência, o mercado foi se formando e de repente a atividade de Private Equity ficou “sexy” e muitas gestoras começaram a pipocar no Brasil. A indústria vivia um grande hype e todos queriam fazer investimentos de capital de risco.

Aquele bicho do empreendedorismo que me picou no começo da minha carreira tinha deixado marcas e aquela sensação de necessidade de empreender voltou a surgir, mais forte do que nunca.

O alicerce

Em 2012, sentia que já tinha experiência para poder assumir uma posição mais decisória sobre quais empresas e setores investir.

Naquele ano, pedi demissão sem saber 100% ao certo o que faria, mas tinha uma boa noção do que desejava: queria unir a experiência do empreendedorismo que tive na Permute com a atividade de investidor que tive durantes anos como investidor de capital de risco, mas queria fazer isso para empresas nascentes, as famosas startups.

E, assim, nasceu a Barn: do desejo de me dedicar à uma atividade de longuíssimo prazo, podendo aliar a atividade de empreender com a de investir.

A Barn nasceu com fortes valores e princípios. Como investidor, acreditava, e continuo acreditando, nas premissas básicas desta atividade: investir em ótimas empresas e empreendedores para gerar altos retornos por meio de investimentos de capital privado.

Entendo que essa é a melhor contribuição profissional que posso dar para a nossa sociedade: incentivar e financiar o empreendedorismo para gerar impacto positivo na sociedade.

Via na tecnologia o caminho para fazer investimentos pequenos, mas que pudessem ser rapidamente escalados para que os ativos (as empresas investidas) virassem alvos ou targets desejados por empresas maiores, fechando assim o ciclo completo do investidor, que inclui captar, alocar, gerir (de forma mais passiva ou ativa) e, finalmente, vender as participações nas empresas investidas.

A Barn não nasceu pensando em ser grande. Essa nunca foi a meta por si só. Desde o princípio, nos pautamos em premissas básicas e que são enraizadas na nossa cultura, sendo elas:

  • Ser transparente com investidores e empreendedores
  • Pensar no longo prazo
  • Não colocar o interesse da gestora à frente dos interesses dos investidores ou dos empreendedores
  • Investir e não alocar
  • Ser obcecado por qualidade

Do ponto de vista de valores e ideais, consideramos, entre outros, como fundamental o:

  • Comprometimento de longo prazo
  • Lealdade entre o time, gestora, com os investidores e na relação com os empreendedores
  • Espírito de equipe
  • Meritocracia e reconhecimento
  • Busca pelo conhecimento e por um trabalho de altíssima qualidade

No final de 2020, completamos oito anos de vida! O tempo não passa, ele realmente voa. Hoje, minha filha mais velha está prestes a cumprir 13 anos, a mais nova está com 10 e eu com 42!

Foram anos intensos, difíceis e notáveis. Continuo vivendo intensamente o empreender e o investir, em um ritmo constante de aprendizado, sincopado por acertos e erros. Tenho orgulho do que construímos aqui na Barn, isso é fato. Sou orgulhoso da sociedade que temos, das relações de trabalho, da transparência e cuidado com que lidamos com nossos investidores e da profunda admiração que temos por empreendedores e tomadores de risco da economia real.

Um novo ciclo

Mas para chegar aqui, nem todos os passos foram gloriosos. Sobrevivemos aos anos de 2016 e 2018 em um mercado bastante hostil. Foram, sem sombra de dúvida, nossos anos mais difíceis.

Durante estes anos, tivemos que ver nossos planos de crescimento serem adiados, pois o mercado não estava nada amigável para uma gestora pequena que se dedicava a investimentos em Venture Capital. As altas taxas de juros e instabilidade política espantavam investidores. O longo prazo não passava de um mês e, para piorar as coisas, tivemos momentos pessoais muitos desafiantes.

Coloque em cima de tudo disso um ecossistema de Venture Capital ainda em formação, com pouco track-record e saídas, e temos um cenário perfeito para afugentar qualquer investidor de longo prazo no país!

Mas, em meados de 2018, os ventos começaram a mudar e passaram a soprar a nosso favor. No primeiro semestre, tivemos a felicidade de conseguir concluir um ciclo completo de investimento, devolvendo nosso primeiro veículo de investimento, captado em 2013 de forma integral aos nossos investidores, com altíssimos retornos.

Foi importante provar para nós mesmos que a nossa forma de investir funcionava, que nossa teimosia tinha fundamento e que, de fato, era possível captar, investir, criar valor e finalmente gerar altos retornos aos nossos investidores e empreendedores fazendo investimentos em venture capital.

Passados oito anos, me dá a sensação de que estamos apenas começando! Com o tempo vamos aprendendo que as coisas nem sempre funcionam como queremos e sim, muitas vezes, como é possível.

Vivemos nestes últimos anos, na prática, tudo aquilo que um empreendedor vive: as incertezas, a falta de recursos, a necessidade de acreditar e ser teimosamente resiliente, a desconfiança…

Mas também vivemos a euforia do empreender ao ter que construir, gerar valor, aprender, gerir e incentivar pessoas todos os dias. Uma viagem inesquecível, viciante que nos faz querer mais. E é o que queremos! Queremos ser mais presentes, mais curiosos, mais questionadores e mais relevantes nos mercados onde iremos atuar.

Estamos em 2021 e muita coisa mudou no mundo e para a Barn. No nosso mundo, de Venture Capital, as mudanças são evidentes, e para melhor. O mercado evoluiu demais.

Empreendedores, investidores, gestores e entusiastas já enxergam a atividade como algo prioritário para o desenvolvimento do país e um caminho sem volta que desperta cada vez mais o interesse dos jovens.

Muitos já veem o Venture Capital como uma classe de ativos que deve fazer parte de um portfólio de investimentos. Os números do mercado mostram um crescimento vertiginoso da atividade nos últimos anos e isso é fantástico. Vale lembrar que estamos apenas começando!

Acredito cegamente na capacidade dos brasileiros e latinos de empreender. Acredito que continuaremos a evoluir como investidores e empreendedores, e que o Brasil será cada vez mais uma potência do empreendedorismo e de novas ideias e empresas.

Na Barn, temos como característica o estudo, o aprofundamento, a disciplina e o olhar crítico para investimentos. Somos diligentes para investir e cuidadosos com como e em quem alocamos capital.

Em um mercado altamente aquecido como o que vivemos hoje, sentimos cada vez mais a necessidade de nos aprofundarmos e sermos cada vez mais conhecedores das indústrias onde atuamos.

Gostamos de discutir e nos aprofundar nas teses macro por indústria, para a partir do macro encontrar as necessidades e ineficiências de um setor, investindo em startups que estejam resolvendo problemas reais.

Nos parece muito difícil sermos conhecedores, com profundidade, de todas as indústrias. Adoraríamos poder dizer que conhecemos a fundo EdTech, HealthTech, FinTech, GovtTech, LegalTech, Agtech, AI, PropTech entre outros… mas isso simplesmente não é possivel.

E isso nos incomoda. Preferimos e optamos por saber cada vez mais sobre algumas coisas ao invés de nos aventurarmos a saber pouco sobre muitas coisas.

Este ano começamos um novo ciclo na Barn, estamos no mais alto grau de otimismo! É uma nova Barn: mais verde, mais impactante, mais comunicativa e ainda mais curiosa, mas com os mesmos valores e ideias, e com a mesma disciplina para investir.

Como grande novidade, decidimos nos especializar e dedicar grande parte dos nossos esforços a duas indústrias: o AgTech, em função do nosso longo histórico, track-record e experiência na indústria, e o CleanTech ou GreenTech.

Em CleanTech, fizemos avanços e investimentos significativos nos últimos anos e acreditamos que as demandas e pressões por soluções verdes para problemas atuais serão cada vez maiores e de curto prazo.

Na próxima publicação, exploraremos com mais detalhes os motivos pelos quais decidimos nos dedicar prioritariamente ao ag&clean. Vale a pena conferir.

Com a decisão de focarmos nestes dois setores/indústrias, poderemos nos aprofundar cada vez mais no conhecimento, agregar mais valor aos empreendedores e investidores e, assim, trazer “Smart Money” de verdade.

Nesta nova fase da Barn, passaremos a dividir com vocês, de forma mais recorrente, muito mais informações sobre empreendedorismo, Venture Capital, AgTech e CleanTech por meio de diversos canais.

Convidamos você a conhecer melhor essa nova Barn e o nosso time. As portas do nosso celeiro estão abertas para você que é empreendedor, investidor, entusiasta, estudante ou qualquer outra qualificação, não importa.

O importante é ser curioso e sonhador! Esperamos você de portas abertas, com ouvidos curiosos e olhos atentos.

A hora é agora e a teimosia tem fundamento!

Um abraço,

Flavio Zaclis.

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Somos uma empresa de Venture Capital GP, dedicada a investimentos Seed e Série A, no Brasil e LATAM.

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Investimos em tecnologias verdes. Nosso principal mercado de atuação é o Brasil e América Latina.

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