Lino: uma Aventura para quem tem 7 anos ou menos — provavelmente menos.

Aprimeira coisa que precisamos saber sobre “Lino: Uma Aventura de 7 vidas” é que é uma animação brasileira. Algumas pessoas (estou entre elas) podem ter assistido o trailer na televisão ou na internet e imaginado que se tratava de mais um trabalho da Pixar, talvez da Dreamworks, mas a qualidade estética do filme é brazuca mesmo, ponto para os Estúdios StartAnima. Foi por causa dessa qualidade que saí de casa em um domingo de manhã e atravessei o Rio de Janeiro para assistir a pré-estreia desse filme (assista ao vídeo da nossa ida ao tapete vermelho aqui) que conta com grandes nomes participando da dublagem, como: Selton Mello (eterno João Grilo do filme Auto da Compadecida), Dira Paes (mais conhecida pelo papel de Solineuza em A Diarista), Paolla Oliveira (quem é noveleiro com certeza conhece).

O filme conta a história de Lino, um rapaz azarado e completamente insatisfeito com seu emprego como animador de festas. Depois de ser despejado, ele decide que algo precisa ser feito para mudar sua situação. Ele então conhece Dom Leon, um mago extremamente desajeitado e burro (Dom Leon é burro pra cacete) que promete consertar sua vida através de um feitiço. Surpresa, o feitiço dá errado e Lino se transforma no que mais despreza: Sua fantasia de gato. Para piorar ainda mais a situação, um bandido fantasiado de gato surge na cidade e a polícia acredita que o responsável pelos crimes seja Lino, isso faz com que ele fuja junto com Dom Leon e acabe raptando sem querer uma criança que se junta a eles em busca do feitiço que pode reverter a bagunça que foi feita.

Com a direção de Rafael Ribas, Lino não é uma história comovente, muito menos divertida caso você seja do tipo durão e não ria com piadas sobre peido e cocô. Aparentemente as crianças com menos de 5 anos que não estavam completamente dispersas na exibição da premier realmente curtiram a animação, já o resto de nós achava graça apenas das maravilhosas pérolas que só a língua portuguesa é capaz de nos proporcionar, tipo: “Olha lá, o gato tá roubando a bolsa daquela véia!”. “Véia” haha …clássico.

Eu dando deliciosas gargalhadas assistindo “Lino: Uma Avenzzz…”

Sim, eu estou entre as 4 pessoas mais chatas do planeta, e sim, eu entendo que Lino é um filme infantil, mas nesse momento eu gostaria de convidá-los à debater um incrível argumento que eu gosto de chamar de: “A Disney só faz filmes infantis e cada um deles consegue agradar qualquer caceta de público”. Um bom contra argumento é o fato de que a Disney é a Disney, o problema é que Lino parece nem ter se esforçado para ter uma boa história e em vez disso focou na qualidade visual, que sem dúvidas deixa para trás qualquer outra animação feita para o cinema já produzida no Brasil.

Algo que me chamou a atenção em Lino foi o empenho da galera responsável pelo design dos personagens em hiperssexualizar as mulheres que recebem algum destaque na animação. Talvez eles tenham pensado que seria uma boa ideia criar uma policial que só anda rebolando a raba e uma garota que quase tem mais peito que cabeça — e olha que nessas animações, a cabeça dos personagens é grande!

O problema pode estar com os designers responsáveis? Provavelmente. O problema pode estar comigo em ficar reparando na bunda e no peito de desenhos infantis? Realmente não descarto essa hipótese. De qualquer forma acredito que seja mais prudente culpar a sociedade por achar que isso é normal em qualquer lugar que não seja um fórum 18+ de desenhos adultos.

Aquilo são peitos nela. “Ah, mas o cara é todo fortão também” É diferente, camarada, leia essa tirinha para entender.

Outro ponto interessante é a moral da história, algo que faz todo sentido em um filme infantil e que em Lino acabou sendo algo um pouco feito nas coxas, mas para comentá-la é preciso dar spoilers, então se quiser preservar a experiência de acompanhar a complexa trama durante o filme, pule o texto em itálico:

Depois de passar por diversas aventuras com Dom e com a criança que só recebeu nome no final do filme, Lino percebe que fazer as coisas com amor pode deixar qualquer trabalho divertido. Mas em? Sério? As crianças odiavam ele, o trabalho pagava pouco e ninguém levava ele a sério. Conselho para a vida, crianças: não tem pensamento positivo que pague os boletos no final do mês ou que impeça um guri encapetado de ficar te chutando.

Lino vem para ser um filme ok que vai entreter as crianças por 93 minutos e talvez fazer os pais desembolsarem uma nota com um bichinho de pelúcia, mas só. Fico na torcida para que um dia o roteiro de animações brasileiras sejam tão bons quanto os dos nossos filmes, se assim for, o Brasil está feito nessa área, vai faltar só: saúde, educação, cultura, transporte público…

Pontos positivos: A criança fofinha do filme não é branca de olhos claros; e a animação é visualmente muito bonita e atrativa.

Pontos negativos: História simples demais até para crianças; hipersexualização das principais personagens femininas; e público alvo extremamente limitado.

Como ficaria melhor: Músicas, todo mundo gosta de música em filme infantil; trocar o designer de personagem por alguém que não assiste hentai enquanto trabalha; contratar um(a) roteirista responsa para colocar um pouco mais de drama e mistério na história.

Lino estreia dia 7 de setembro.

Nota 4.5/10.0


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