3 erros invisíveis que lideranças cometem ao consumir informações

Débora Emm
Aug 27 · 4 min read

Nos últimos 10 anos, nós aqui da Inesplorato, estivemos imersos no complexo ecossistema informacional das empresas. Como curadores de conhecimento, sentimos na pele os desafios de promover reflexões de qualidade no meio da correria do dia a dia corporativo. Entre os muitos desafios que enfrentamos, compartilhamos aqui 3 problemas que pouca gente enxerga, mas que contamina o modo de agir de milhares de líderes.

1- Tudo tem que ser dito de forma muito fácil

E por que isso é um problema? Por que existem assuntos importantes que são difíceis, que exigem esforço para serem compreendidos, e que para serem tratados de forma fácil serão diminuídos, perdendo potencial de transformação. Em tempos de longas jornadas de trabalho, com conexão ininterrupta, é compreensível que isso esteja acontecendo: estamos todos cansados e com pouca disposição intelectual.

Esse texto por exemplo, está em forma de lista, em modo “bullet points”, porque esse é o modo que nos acostumamos a ler assuntos do universo corporativo. Textos complexos, que exigem muita atenção, correm sempre o risco de serem sumariamente ignorados. No Brasil, um país cheio de complexidades, essa situação é perigosa. Os problemas, quando lidos de forma simplista são mal compreendidos e como consequência as soluções encontradas raramente são reais e consistentes.

2- Tudo tem que fazer sentido

A generalização de experiências individuais é uma epidemia corporativa. É muito comum que mesmo os profissionais mais preparados olhem para os desafios de suas empresas a partir de lentes pessoais. Por isso, existe sempre a expectativa de que uma nova informação “faça sentido”, ou seja, que ela esteja em conformidade com o que a pessoa já pensava antes, alinhada a uma visão de mundo particular. E como o universo corporativo costuma ser pouco diverso, ilusões coletivas são compradas, as lentes particulares estão em sintonia e tudo parece fazer sentido pra todo mundo.

Mas consensos podem ser perigosos. O grande problema que esse comportamento cria é uma sequência de decisões equivocadas que partem de realidades distorcidas. E pior, decisões que muitas vezes nunca serão vistas como erradas. Quando projetos não se desenvolvem como o esperado, quando os resultados não vêm, é muito raro que se questione a base de informações que foi usada como ponto de partida. Afinal, aquela base “fazia sentido”.

Segundo pesquisa realizada pela Ipsos em 2018, nós brasileiros temos uma visão muito distorcida de nossa realidade. Estamos em quinto lugar em um ranking mundial que mede essa desconexão, perdendo para Tailândia, México, Turquia e Malásia. Por exemplo, no final de 2018, enquanto as pessoas acreditavam que a taxa de desemprego batia os 60%, na verdade o número real era de 13%.

Vejam, a humanidade nunca produziu tanto conhecimento como produzimos hoje, falta de informação é um problema cada vez mais raro. No entanto, precisamos estar abertos a ver o que não esperávamos para que essa explosão de informações nos ajude a evoluir. O “óbvio” serve apenas para justificar aquilo que já acreditamos.

3- Teoria virou palavrão

Teoria e prática são dois conceitos que se relacionam de modo promissor no universo acadêmico. É comum que se estude ideias, perspectivas, informações sobre determinado tema para que práticas possam ser aprimoradas. Mas, no mercado, a teoria virou vilã. Líderes das mais diversas áreas se interessam apenas pelo que parece concreto e produtivo, palavras que estão associadas apenas ao que é prático. Agora, imagine a seguinte situação: você vai ao médico e ele te diz que você precisa fazer uma cirurgia que ele nunca estudou, mas que ele está disposto a descobrir um método na prática… você toparia ser operado por ele? Você deixaria ele soltar a criatividade e colocar a mão na massa sem preparo teórico? Pois bem, isso é muito comum no universo corporativo. Discussões teóricas, debates e aprofundamentos em diferentes assuntos, parecem papo de acadêmicos chatos que não levam a lugar algum. E assim, o mundo corporativo se torna cada vez mais cheio de achismos, de mediocridade e superficialidade.

Querem um exemplo que se aplica aos 3 pontos? Gerações! Um tema super presente nas áreas de Recursos Humanos, Marketing, Publicidade e Inovação. Novas gerações surgem no mercado a todo momento com nomes bonitinhos e características estereotipadas que parecem fazer todo o sentido. Mas, na verdade, não fazem.

Para discutir esse assunto com a profundidade que ele merece, vamos nos encontrar para conhecer uma teoria super rica, interessante, não muito fácil, mas que revela a vida como ela é? Dia 4/09/2019 no Senac.

Até lá!

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Somos o time da Inesplorato escrevendo sobre o que aprendemos com nosso trabalho.

    Débora Emm

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    Sócia Fundadora da Inesplorato

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