Comunicação Não-Violenta: que danado é isso? (Parte I)
Este texto é o primeiro de muitos que eu e Alice Vitória estamos escrevendo juntas sobre os aprendizados que adquirimos ao ler e participar de vivências sobre Comunicação Não-Violenta.
O objetivo é, inicialmente, trazer os conceitos base e aprofundar com exemplos e situações especificamente do mundo corporativo.
Sabe aqueles momentos no trabalho onde é necessário gerir equipes, participar de projetos com pessoas totalmente diferentes, resolver conflitos ou simplesmente colocar uma opinião para o grupo? Ou aquelas conversas difíceis com familiares e amigos onde todos estão só preocupados em “ganhar o argumento”?
Saber se comunicar já é um grande clichê hoje, mas será que estamos fazendo isso de forma clara e empática, abrindo espaço para o diálogo verdadeiramente transparente? Uma maneira interessante de tornar essas interações mais fáceis e conexas é utilizar a Comunicação Não-Violenta (CNV).
Segundo Marshall Rosenberg, idealizador dessa metodologia, embora não se possa considerar “violenta” a maneira que falamos, nossas palavras não raro induzem à mágoa e à dor, seja para os outros ou para nós mesmos.
Toda violência é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida. — Marshall Rosenberg
Numa tentativa de sanar as mágoas e dores, a CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas.
O objetivo é lembrar do que já se sabe — de como nós, humanos, deveríamos nos relacionar e nos conectar uns com os outros — e nos ajudar a viver de modo que se manifeste concretamente esse conhecimento.
Acredito que é da nossa natureza gostar de dar e receber de forma compassiva, mas às vezes nos esquecemos disso. — Marshall Rosenberg
Ela se baseia em 4 componentes que sustentam este diálogo:

Observação
A ideia é ser capaz de articular essa observação sem fazer nenhum julgamento ou avaliação, mas simplesmente aplicar a empatia para entrar em contato com o que lhe agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo ou falando.
Quando combinamos observação com avaliação, as pessoas tendem a receber isso como crítica — Marshall Rosenberg
Por exemplo, ao invés de dizer ao outro:
“você fala demais” ou “você quer ser o centro das atenções”,
você pode se expressar dizendo quais são os comportamentos específicos que incomodam, como:
“você costuma contar histórias das suas experiências anteriores nas reuniões de trabalho e, por isto, elas atrasam 30 minutos além da conta”.
Sentimentos
Expressar sua vulnerabilidade pode ajudar a resolver conflitos, apesar da abordagem habitual consistir em parecer lógico no dia-a-dia.
Neste caso, quando se diz:
“sinto-me insignificante para as pessoas com quem trabalho”,
a palavra insignificante descreve como você acha que os outros estão te avaliando, e não um sentimento real. Nessa situação, a vulnerabilidade poderia ser exposta na seguinte forma:
“sinto-me triste” ou “sinto-me desestimulado”.
Necessidades
Agora, é importante informar quais são os desejos que estão conectados aos sentimentos que você acabou de nomear. Em outras palavras, quais são as reais necessidades que lhe fizeram sentir daquela maneira?
Quando você diz:
“fiquei realmente irritado por eles terem cancelado nossa reunião”,
não fica claro o que você estava querendo e sentindo. Além disso, acaba atribuindo sua irritação ao comportamento de outras pessoas, embasando um julgamento. Um forma mais amena de comunicar sua chateação seria:
“quando eles cancelaram a reunião, fiquei realmente irritado, porque eu tinha me preparado muito para apresentar os resultados”.
Quando expressamos nossas necessidades, temos mais chance de vê-las satisfeitas. — Marshall Rosenberg
Pedido
Por fim, fazemos o pedido consciente e claro, pois nem sempre o que é muito óbvio está de frente para todos.
Como quando se diz:
“gostaria que você fosse honesto comigo a respeito da reunião de ontem”
embora possa parecer claro o que está pedindo com a expressão “ser honesto comigo”, ela ainda não expressa qual é a ação solicitada. Poderia ser dita da seguinte forma:
“quero que você me diga como se sente a respeito do que eu fiz e o que gostaria que eu tivesse feito de modo diferente”.
Quanto mais claro se é a respeito do que quer obter, mais provável será que consiga. — Marshall Rosenberg
Podemos diferenciar pedidos e ordens quando escutamos a resposta da outra pessoa. Quando a pessoa diz “não” e isso nos deixa irritados, é bem provável que aquilo que você estava pedindo era uma ordem, e não um pedido. Ou seja, ao realizar um pedido, esteja preparado para ouvir uma negativa.
Texto escrito em parceria com Alice Vitória para a série sobre Comunicação Não-Violenta No Mundo Corporativo. Fique ligado que vem mais por aí!

