Um paulistano em BH

Há quase sempre uma pergunta: Paulo, como você veio parar em Belo Horizonte? Mesmo com os “nó”, “nuh” incorporados, carrego o sotaque da pauliceia e percebe-se que não nasci aqui. Bem, minha relação com a cidade começou em junho de 2008, para visitar amigos, e praticamente, de cara, fui parar na Pampulha. Uau! O que era aquilo? Confesso que achava que tudo era maior, principalmente “a igrejinha”. Porém, quando fui parar do outro lado da Lagoa, ao avistar o Museu de Arte Moderna, já estava em estado de catarse. Sim, de verdade.

Sempre admirei a arquitetura modernista daqui, que tanto via nos livros, em imagens e vídeos. Tamanho foi o prazer em ver o meu reflexo naquela parede de espelho do museu e, adiante, pisar no piso de vidro do antigo cassino. Aliás, a experiência se tornou ímpar, já que havia uma projeção do vídeo Tonight, da artista Valeska Soares, gravado lá mesmo, e que hoje integra a instalação Folly, exposta no Inhotim.

Folly”, de Valeska Soares. Por Daniela Paoliello/Inhotim

Daquele momento até janeiro de 2009, quando me mudei efetivamente para cá, por causa de um amor [respondendo a pergunta do início do texto], foram várias vindas e a cada uma delas, uma descoberta e um espaço diferente a ser explorado. Era um novo momento na minha vida e, para minha felicidade [e da cidade], era um novo momento da capital mineira. Coletivos sendo criados, projetos se concretizando e a pauta de ocupação do espaço público cada vez maior.

O meu primeiro trampo aqui também me ajudou a conhecer mais BH. Como jornalista, cobri vários eventos e projetos em diversas favelas e comunidades. Pude vivenciar uma dinâmica diferente da cidade. Era o olhar apaixonado do “turista”, ou melhor, do morador recém-chegado, das coisas já conhecidas e exploradas, mas também das surpresas do novo, do acaso. Belo Horizonte me adotou e fiz questão de receber bem essa acolhida. Era tudo novo para o paulistano que estava muito mais acostumado a receber de uma cidade, do que efetivamente contribuir para o seu espaço de vivência.

E aqui abro as experiências do que irei compartilhar com vocês: andanças [das caminhadas mesmo] com descobertas, artes, festas, coletivos e uma palavra de seis letras que tem sido uma experiência única na cidade rodeada por montanhas: música!


Paulo Proença é jornalista. Paulistano, mora há 6 anos em BH. É cofundador e gestor de conteúdo do Motif e editor na Rádio Inconfidência. Vez ou outra faz discotecagens. Mantém os tumblrs #trilhadocoletivo e #namãodopp

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