(Quase) Levei um calote emprestando dinheiro no Social Bank

A alguns meses atrás eu resolvi testar o Social Bank, que é uma fintech que permite empréstimos financeiros entre os participantes da plataforma. Desde a minha última postagem eu realizei mais dois empréstimos na plataforma, totalizando três o número de pessoas que apoiei através da plataforma.

Ao todo as três experiência me permitiram conhecer o serviço oferecido e meu próximo passo será fazer um empréstimo, que infelizmente eu ainda não pude solicitar pois estou apoiando uma pessoa. Este é um dos pontos de atenção da plataforma: se você está apoiando alguém não poderá solicitar um apoio e se alguém lhe deu um calote você não consegue solicitar um empréstimo.

Meu primeiro apoio foi no valor de R$ 77,32, através do Social Cash que se destina a pessoas que estão precisando de uma grana para pagar alguma conta corrente (energia elétrica, gás, água e afins), curiosamente o contrato foi o de número 1234, com vencimento em 30/08/2018. E não foi pago no prazo.

Após o vencimento não entrei em contato com o meu apoiado (isso pode ser feito a qualquer momento pelo chat da plataforma), e ele não entrou em contato comigo. No dia 1° de agosto o Social Bank me enviou um e-mail com os dados do devedor:

A parcela 1 no valor de R$77,32 do contrato de apoio Social Cash #001234 ainda não foi paga por Fulano de Tal. Taxas de juros e mora serão aplicados conforme especificadas no contrato de apoio anexo. Caso queira entrar em contato com o usuário apoiado, os dados de contato estão disponíveis no documento de informações de contato também anexo.

Além das informações que eu já possuía, tendo em vista o contrato assinado, o banco encaminha um Documento de Informações de Contato contendo uma série de informações que ajudariam a localização do devedor, se as informações estivessem corretas.

O documento continha dados pessoais (CPF, nome da mãe, data de nascimento, endereço, e-mail e número de telefone), dados do aplicativo (dia de registro, última visualização do app, localização do último acesso — via GPS) e um breve resumo da dívida com o saldo atualizado.

Em nenhum momento o Social Bank informou como devemos agir para cobrança judicial da dívida e as informações estavam claramente incorretas.

O Social Bank me informou que a última vez que o apoiado logou no aplicativo foi no dia 06/11/2017 às 00h00, mas o contrato foi assinado no dia 29 de junho de 2018 e o serviço está disponível apenas pelo aplicativo, logo, a informação está incorreta.

Documento enviado pelo Social Bank com informações do devedor.

Em uma listagem de notificações ao usuário que consta no documento enviado indica notificações feitas antes do contrato ser assinado, indicando alertas de vencimento e de parcela não paga de maneira incorreta. As datas são de junho mas o vencimento só ocorreu no dia 30 de julho devendo as notificações, se ocorreram, terem sido feitas durante o mês de julho e não em junho como indicou o documento.

Eu entrei na plataforma pronto para levar um calote, por isso não fiquei tão desapontado com isso. Em todo o caso fiquei desapontado com o fato de que estando com um contrato em aberto eu não poderia solicitar apoio algum, eu estava bloqueado na plataforma por uma dívida que não era minha, algo absurdo. Em todo o caso, após alguns dias do vencimento a dívida foi quitada com os valores de juros e mora atualizados.

O meu segundo apoio foi num total de pouco mais de R$ 20 para um senhor de uma pequena cidade do interior do Amazonas, na descrição ele precisava pagar sua conta de água e após vinte dias do empréstimo ele entrou em contato para pagar o que devia e juntos descobrimos que não é possível o adiantamento de parcelas no Social Bank, algo que deveria ser possível tendo em vista a diminuição dos juros para o tomador do empréstimo tornando o serviço melhor.

Por fim, esta foi minha experiência com a plataforma Social Bank, que ao todo foi positiva mas que certamente não pode ser feita como meio de investimentos tendo em visto os altos riscos de calote e, ao menos para pessoas comuns, a dificuldade da cobrança judicial da dívida.