Ressignificar a masculinidade para tornar o mundo mais igual

Um novo entendimento do que é masculinidade está surgindo, como parte de um movimento igualitário em direitos, mas que busca compreender e valorizar a individualidade e diversidade entre as pessoas.

Roberta Fabruzzi
Nov 7 · 3 min read

Os avanços dos movimentos das mulheres têm conquistado — aos poucos — progressos na busca pela igualdade de direitos, principalmente no ambiente de trabalho. Termos como gaslighting, mansplaining, manterrupting ou bropriating estão cada vez mais populares e descrevem as práticas machistas também dentro do meio corporativo.

Como consequência disso, homens passaram a refletir sobre seu papel na sociedade, e entender de maneira mais ampla, o quanto a reprodução dessas práticas machistas também os afetam negativamente.

Uma pesquisa feita pelo Papo de Homem para o projeto “O Silêncio dos Homens” nos mostra que apenas 3 a cada 10 homens têm o hábito de conversar com os amigos sobre seus sentimentos, dificuldades e aflições.

Ainda meninos, eles aprendem que devem se impor, dominar e controlar. Não aprendem a ouvir ou a expressar seus sentimentos. Devem agir com repulsa a tudo aquilo que coloca à prova essa “masculinidade”, muitas vezes reprimindo quem realmente desejam ser, deixando de realizar coisas que gostariam ou que seriam saudáveis para eles e para as pessoas ao redor. Tudo para que possam se encaixar em um conceito de masculinidade que lhes é imposto pela sociedade.

Essa ideia de “homem de verdade” também é prejudicial no ambiente corporativo. O mercado está mudando e desenvolver competências emocionais e sociais — as chamadas soft skills — é tido como essencial para a produtividade do trabalho em equipe e posições de liderança.

A colaboração, empatia, boa comunicação e inteligência emocional estão entre as habilidades geralmente mais associadas às mulheres, mas na verdade, todos podem desenvolvê-las, quebrando a barreira do preconceito entre o que é “feminino” e o que é “masculino” essencialmente.

A reflexão impulsionada por esses avanços de movimentos feministas e mudanças no mercado de trabalho, trouxe essa ressignificação da masculinidade. Através de projetos voltados para homens e para que eles possam aprender a cuidar e a ouvir a si mesmos e aos próximos, expressar seus sentimentos e quebrar o molde do machismo, faz com que eles se tornem também, agentes de transformação pela igualdade de gêneros.

Um destes projetos é o Promundo, uma ONG global, fundada no Brasil e que

hoje tem colaborado com grupos em mais de 40 países, lutando para promover a equidade de gênero e prevenir a violência que envolve homens e meninos.

Gary Barker, CEO e presidente do projeto, quando perguntado sobre suas ansiedades em uma entrevista para a Quartz at Work disse:

Projetos como esse são muito importantes para desconstruir conceitos antigos e construir novas gerações livres de tabus que são tão prejudiciais.

Essa transformação pode ser libertadora, mas é essencial perder o medo de compartilhar suas paixões, sentimentos e aflições. Além de conectar-se com outras pessoas e trocar ideias, debater assuntos de maneira saudável e se abrir para novos caminhos e possibilidades.

Na Beliive queremos estimular que pessoas compartilhem cada vez mais, aumentando a empatia, tolerância e entendendo a diversidade do mundo. Assim acreditamos poder construir um mundo de igualdade para todas as pessoas.

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