Representatividade LGBT e mercado. Para onde vamos?

O número de marcas e veículos que tem abraçado a ideia de Representatividade tem sido cada vez maior e mais evidente. Principalmente em relação ao público LGBT. É só olhar em volta e já é possível perceber a mudança. Estamos na capa da revista, no comercial de maquiagem, no cinema. Do mais otimista dos pontos de vista, podemos perceber e celebrar que muita coisa mudou e vem mudando. Muito espaço vem sendo conquistado e muitas barreiras vem sendo transpostas. Por outro, é preciso nos lembrar de todo o caminho que ainda precisa ser percorrido, das lutas que ainda acontecem e daqueles que lutaram para que pudéssemos chegar até aqui e nos reconhecer ali naquela mesma tela que outro dia mesmo era um mar de inseguranças pra dentro de nossas cabeças.

O aumento da visibilidade é um sinal positivo. Os posicionamentos estão evoluindo e as marcas finalmente — mesmo que tardiamente — começam a tentar se adequar aos novos tempos e a entender que é preciso ir muito, mas muito além daquilo que é padrão. Aliás, padrão para quem? O processo é lento, mas as conquistas são importantes e representam avanços em uma pauta que existe há muito tempo.

Sem sombra de dúvida a internet é uma das grandes responsáveis por isso. Sem ela seria difícil imaginar tamanha inversão. Seja por descentralizar os discursos midiáticos hegemônicos ou por dar voz às minorias, seu papel foi e ainda é fundamental, principalmente quando levamos as redes sociais em consideração; ferramentas poderosas que promovem debates importantíssimos, possibilitam denunciar o ódio e a discriminação, conectam pessoas e fortalecem a causa.

Mas não é só isso. É necessário fazer uma reflexão do ponto de vista mercadológico. O público LGBT representa uma grande fatia de consumidores. O pertencimento pelo consumo tem uma força enorme, e para convencer um público crítico como esse, as marcas precisam provar que compartilham de valores semelhantes e explicitar de que lado da história estão.

Temos alguns exemplos bem recentes de campanhas surpreendentes em prol da causa LGBT. A primeira é a Avon, que no dia do orgulho LGBT, lançou um vídeo promovendo o respeito à diversidade, colocando pessoas LGBT e negras como protagonistas.

A Skol também entrou no bonde e também lançou um vídeo apoiando a causa.

Talvez a maior surpresa tenha sido a Axe, que tem um histórico mega problemático e é famosa por campanhas que objetificam a mulher e impõem o que significa “ser homem”.

Marcas como a Apple, Calvin Klein, Coca-cola, Adidas, Nike entre outras já declaram abertamente seu apoio à causa e o número de marcas seguindo o mesmo caminho só vem crescendo.

Pink money? Apropriação? Oportunismo?

O que vem a seguir é incerto e ainda é difícil definir quem realmente apoia a causa verdadeiramente. É fato que o dinheiro é uma parte importante dessa equação. Existe interesse mercadológico envolvido sim, mas é preciso reconhecer e celebrar que essa visibilidade tem muitos efeitos benéficos. Estamos falando de indivíduos, e não é possível ignorar que quando se é visto e representado, isso gera empoderamento. O indivíduo empoderado se sente mais seguro e capaz de abraçar as suas próprias lutas. Portanto, sejamos críticos sem deixar de sermos vistos.

Referências

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Texto escrito em colaboração para o blog da benfs.

O blog da Benfeitoria é 100% colaborativo. A cada semana publicamos um novo texto de um autor diferente. Entre os escritores estão parceiros, visitantes, clientes e interessados na cidade, criatividade, cultura e economia criativa.

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