Conhecem alguma benzedeira por aqui?
Essa foi a pergunta, frequentemente, feita pela antropóloga Bruna Donato e pela socióloga Tade-Ane de Amorim, pesquisadoras da empresa Espaço Arqueologia e que, por meio de um prêmio do edital Elisabeth Anderle, passaram a mapear benzedeiras na cidade de Florianópolis- SC.
A figura da benzedeira é bem conhecida em Florianópolis, onde era bastante comum as mães recorrerem aos conhecimentos dessas pessoas, na maioria, mulheres que conectam o profano ao divino, que ligando conhecimentos tradicionais e fé, colocavam seu tempo a serviço dos que precisavam.
Atualmente a prática tem entrado em desuso, se comparado há poucas décadas atrás, mas, como mostraremos no decorrer das próximas postagens, é uma prática que permanece no cotidiano de muita gente.
Aqui apresentaremos algumas benzedeiras e benzedores de nossa cidade, partilharemos alguns dos seus rituais de cura e orações que passaram por diversas gerações.
O objetivo é ampliar, dar visibilidade a esse saber e mostrar como a diversidade de crenças religiosas e de conhecimento entrelaçam-se enquanto é feito o benzimento.
O trabalhou iniciou em fevereiro de 2018, com uma benzedeira conhecida por muitos da Ilha de Florianópolis, Dona Ilda, aos 104 anos de idade. Conforme íamos a campo, as próprias pessoas dos bairros visitados faziam indicações de onde havia benzedeira ou benzedor e, dessa forma, fomos construindo a pesquisa e mapeando essa sabedoria milenar.
Estivemos em Pântano do Sul, Barra da Lagoa, Ribeirão da Ilha, Campeche, Santinho, Vargem do Bom Jesus, Centro, Saco dos Limões, Armação, Canasvieiras, Ingleses e Costa da Lagoa, onde identificamos a prática da benzedura cujos conhecimentos ouvidos curam os mais diversos males como mau olhado, arca caída, zipra, calor de fígado, quebrante, sangue, cobreiro, entre outros. Além disso, a pesquisa propiciou mapear a diversidade religiosa existente em torno desse saber, bem como as diferentes faixas etárias de pessoas que exercem esse conhecimento.
Uma breve biografia

Tade-Ane de Amorim
Doutora em Sociologia e estudiosa de patrimônio cultural. Acredita que todas as pessoas têm boas histórias para contar e põe seu ofício de socióloga na escuta atenta àqueles que se dispõe a, generosamente, dividir suas visões de mundo e seus saberes. Para ela, uma entrevista só é válida, se o entrevistador acessa a emoção daquele que a concede. Assim, o sorriso e o choro não são somente inevitáveis no decorrer da pesquisa, como também, metodologicamente, perseguidos. Ateia, mas que já viu muitos milagres, entende que pesquisar benzedeiras em Florianópolis faz parte de um grande presente que a vida lhe deu.
Bruna Donato de Oliveira
Mestra em Antropologia Social e Cultural, atua na área do licenciamento cultural. Tem um pé no esoterismo, astrologia, umbanda e tantas outras esferas desse vasto universo de crenças. Acredita que a cada encontro recebe um tanto do outro, que aceita doar um pouco de si. Seja com histórias, saberes ou vivências. Mapear as benzedeiras de Florianópolis é dessas generosidades que a vida proporciona.

