Sou Dona Ilda, benzedeira! “Faço, falo aquelas palavras, tem que ter fé! Fé em Deus!”

Dona Ilda é uma antiga benzedeira de 104 anos de idade, da região de Pântano do Sul. Começou a benzer ainda criança, “Mas viu, eu era pequena sabe? … Todo mundo chegava aqui em casa: “Chama a magrinha pra benzê, chama a magrinha pra benzê”. Dona Ilda aprendeu o benzimento com sua mãe, quando tinha entre 12 a 14 anos de idade, mas segundo diz, só queria saber de dançar: “Minha mãe dizia: vem cá, me escuta!”. “Nan, nan, nan, eu vê é dançá! Não quero aprendê não, eu quero é dançá”. E, aos poucos, começou a benzer as pessoas que a procuravam, a pedido da mãe pouco tempo antes de morrer: “Olha, a mãe vai dizer uma coisa pra ti, se tu não quiser ir benzer gente grande, tu não benze mas inocente tu não deixa de benzê. Aí começou a aparecer criança pra eu benzê”.

O primeiro benzimento aconteceu ainda menina, em uma dia que fui tomar banho de cachoeira, e uma moça pediu que benzesse a criança que estava com ela, pois não estava tomando a mamadeira. Mesmo sem nunca ter benzido, Dona Ilda benzeu.
As orações que hoje fazem parte dos seus benzimentos, aprendeu com a mãe e o avô materno, que também foi benzedor. Dona Ilda, por vezes foi chamada de rezadeira, parteira e macumbeira ao passo que sempre respondeu que o que faz é rezar as orações aprendidas com sua mãe e seu avô.
As pessoas procuram-na para benzer mau olhado, cobreiro, zague, calor de fígado, afogado, quebranto… “[…] quando as pessoas tão carregadas tudo faz mal, minha filha”, diz Dona Ilda. Dos mais diversos lugares, as pessoas procuram-na para curar seus males. No decorrer dos anos, já recebeu pessoas de todos os lugares do país e fora também como Portugal. “Mas é tanta gente, tanta gente que eu nem conheço. Vem gente por tudo. Portugal! ”.
Muitas mães já procuraram a benzedeira, por conta de os filhos pequenos não pararem de chorar ou não dormirem bem. O saber aprendido de sua mãe também repassou a essas mães como forma de acalentar as crianças: “Vocês deixem um dente de alho, a minha mãe me ensinou, pega um dente de alho e bota embaixo do travesseiro da tua criança. Se chegar gente lá e disser que tem catinga de alho, vocês não digam nada, fiquem calados!
Aí depois dizem: “Oh Dona Ilda, foi o mesmo que tirar com a mão, a menina dormiu tanto, tanto”.
Além dos benzimentos, Dona Ilda carrega consigo um repertório grande de cantigas e versos, que aprendeu com seu avô como esse: “Abre a porta Seu Vilela, que eu não sou de muita graça, e já tão fazendo fogo para então fazer fumaça”.

Atualmente, Dona Ilda ainda benze todas as pessoas que vão à sua casa.
Agradecemos muito por nos receber tão bem em sua casa e nos proporcionar oportunidade de ouvir tantas histórias, cantigas e versos!

